Afinal, para que serve a meditação?

(Foto: Acervo Coexiste)
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Tempo de Leitura: 6 minutos
Em aquecimento para a abertura de um curso sobre o tema para o próximo ano, Kaw Yin e Yan Yin esclarecem o resultado prático da meditação no dia a dia em uma aula experimental

A meditação no seu entendimento e prática mais puros, sendo ensinada para a aplicabilidade nas atividades cotidianas. Essa foi a proposta da aula Meditação A Verdade Presencial – Levando a Meditação para o Dia a Dia, que aconteceu na última terça-feira, 03,  na Coexiste, escola de treinamento existencial, localizada em São Paulo. 

Com a condução de Kaw Yin e Yan Yin, fundadores da escola, a aula trouxe fundamentos esclarecedores sobre meditação, para que este estado serve, e quais são os resultados alcançados quando se atua a partir de um lugar absolutamente quieto da mente. 

Aliás, esse é o primeiro fundamento que foi esclarecido pelos consultores existenciais. A diferença entre a meditação e o treinamento para se atingir a meditação. “A meditação é o estado de cessar as atividades da mente no que diz respeito à atividade intelectual, de associação de dados, de comparação com o passado, de processamento de informações, que dão essa sensação de ansiedade, angústia, preocupação e medo. Não processar esses dados é o não julgamento”, explica Yan Yin. “Por isso, podemos dizer que hoje há muito treinamento para se alcançar a meditação. Meditar mesmo é atingir esse estado”, complementa. 

Mais do que explicar, Kaw Yin e Yan Yin aproveitaram a oportunidade de compartilhar durante toda a aula o contato com esse lugar quieto da mente, e as sensações que isso traz, construindo uma atmosfera amorosa, confortável e tranquila para a prática. “O que temos que compartilhar, na verdade? Tem uma coisa que precisamos compartilhar e que não tem nenhuma questão. Vocês têm questões, às vezes? Sabe que coisa é essa que temos que compartilhar? É nossa vida!”, dizem. 

Segundo os consultores, para transferir o que é meditação, é necessário conseguir compartilhar a vida, porque a meditação nada mais é do que o contato com isso. “A vida não tem problemas. A vida nunca teve problemas. A vida não sofre. A vida não nasce, e a vida não morre. A vida é permanente, eterna e feliz. Não é uma boa notícia? E a vida que eu tô falando está em todos vocês. E a vida é assim, a vida é feliz, a vida não tem nenhuma questão, nenhum problema. Então, quando a gente compartilha a vida, a gente compartilha a paz, a gente compartilha a felicidade, a gente compartilha a serenidade, a gente compartilha a inocência, a alegria, a invulnerabilidade. A gente compartilha a eternidade imutável. E a gente compartilha o que é nosso. A gente compartilha um lugar onde não há nada que nos separe. As pessoas imaginam que são separadas. Mas elas só imaginam que são separadas, e quando a gente compartilha a vida, a gente compartilha o que não é separado”.

(Foto: Acervo Coexiste)

A partir desse entendimento, a aplicabilidade do estado meditativo no dia a dia passou a ser uma proposta de um novo jeito de viver e se relacionar. “Claro que é possível lavar uma louça sem sair desse estado. Pagar um boleto e se manter em quietude!”, brinca Yan Yin. 

A aplicabilidade da meditação

“Todos que partem de uma visão individual e, portanto, egóica, direcionam a percepção para confirmar, nas situações e nas relações cotidianas, o que pensam sobre si mesmos e sobre o mundo, utilizando uma base de dados limitada a crenças, valores, conceitos e condicionamentos aprendidos, e essa é a razão de todos os conflitos pelos quais todos passam”. Sendo a meditação o estado onde já não há esse processamento, Kaw Yin e Yan Yin contam como a meditação pode ser uma importante ferramenta para se desenvolver relacionamentos verdadeiros, alcançar uma visão sistêmica e imparcial. 

Os professores esclarecem que a meditação é uma prática para o relacionamento. “Existe uma ideia de que a meditação é uma prática introspectiva, de você entrar num estado meditativo, e ficar você com você. O treinamento é para dentro. Mas quando você atinge a isenção na mente, você está pronto para o relacionamento”, enfatiza Yan Yin. “Quando você atinge esse estado, você desenvolve uma escuta absolutamente isenta, e você estará meditando diante de alguém que está falando”, complementa. 

“As pessoas que estão conversando com você, estão se expressando, elas estão falando, produzindo imagem, som e movimento, e como é que você vai se relacionar com essa pessoa se você não conseguir isenção ao receber as expressões dela? Se você quer conversar com ela, se você quer se relacionar com ela, você precisa saber o que ela está te entregando, não? A meditação é ótima pra isso”, explica Kaw Yin. 

Outra característica da meditação explicada pelos professores é a contemplação aberta, que traz a visão sistêmica. “Quando você olha através do ego, você olha com os interesses da personalidade, do ego, e você seleciona o que você quer ver, e o que você não quer ver; o que você quer ouvir, e que você não quer ouvir; você seleciona num cenário que serve para confirmar as crenças que você já tem na mente”, explica Yan Yin. 

(Foto: Acervo Coexiste)

Os professores explicam que quando há o interesse em confirmar crenças prévias na cenas o que se faz é restringir o contexto a algo muito pequeno e fracionar as informações de modo a interpretar da maneira que se bem entende. “A visão sistêmica é quando você vê de uma maneira completa, inteira, e não vê só aquela partezinha que o seu sistema pequeno estava procurando. Você tem uma visão completa e você fica apenas observando, contemplando, e recebendo o que chega”. 

Kaw Yin e Yan Yin também reforçam que há treinamentos de meditação que utilizam o foco em itens específicos, mas este é apenas um treino para aprender a não se distrair com os pensamentos que passam pela mente, e que não têm o intuito de restringir a visão. 

A conquista da imparcialidade também é um resultado da meditação. Uma vez que cessam os pensamentos da mente, e com eles, as intenções e desejos pessoais que se tem a partir do ego, é possível alcançar, assim, a imparcialidade para lidar com todas as situações do dia a dia. “A meditação é antes de tudo um treino de foco. Artigos científicos dizem que, em média, o ser humano consegue ficar focado por 8 segundos. É uma estatística. Como vai ter um relacionamento assim, como vai ter uma uma visão fiel ou imparcial assim? Porque o tempo todo você está se distraindo, você se distrai com tudo, desde pensamentos que estão na sua mente, até qualquer coisa que se mexe do seu lado. Então, para alcançar a imparcialidade, cabe a você deixar todos os seus interesses de lado. Deixando seus interesses de lado, você já não se distrai mais. Quando você não tem pensamentos na mente, ou interesses rodando – por exemplo, você está aqui e está assistindo a uma aula, e você está pensando em coisas para fazer, lista de mercado, namorado, o trabalho, vocês estão pensando um monte de coisas. Quando você tira os interesses, a chance de conseguir focar e ficar presente é muito maior, entende?”, explica Yan Yin. 

Meditação sem sono

No decorrer da prática, Kaw Yin e Yan Yin esclareceram também a dúvida sobre meditar sem sono. Eles explicam que a meditação traz um relaxamento consciente e presente, e isso só é possível porque a prática da meditação ajuda a desenvolver a confiança para receber as dádivas presentes em todas as cenas. “Quanto mais você percebe as coisas de maneira isenta, mais você passa a confiar em todas as cenas, porque as cenas são perfeitas. Toda vez que você não gostou de algum cenário foi porque você não viu. Você inventou coisas sobre o cenário, se tivesse visto, você sentiria só gratidão”, ressalta Kaw Yin. 

Yan Yin explica que o estado de prazer para receber as dádivas gera ânimo e traz vitalidade, mas para se alcançar esse estado é necessário uma auto-permissão. “O ser humano tem um estado de contração contínuo que ele não percebe, as pessoas têm musculatura contraída, pois desde pequeno você recebe vários nãos. Nessa sociedade, para as pessoas conviverem o que se soube fazer foi tolher, e todo mundo aprendeu a sentir muito medo, a sentir muita ameaça. Você tem medo de ser atropelado, tem medo de ficar sem dinheiro, tem medo de ficar sozinho. E tudo isso gera contração muscular. Você precisa se permitir relaxar conscientemente, soltar a musculatura. O relaxamento é importante para que você permita o estado de prazer que as dádivas trazem”, esclarece.

Curso de meditação

Os professores explicam que compreender a aplicabilidade da meditação no dia a dia é importante para poder encontrar propósito nesse treinamento. Identificados estas posturas mentais, os participantes foram convidados a se observar e mudar conscientemente seu estado mental, para poder vivenciar a prática de meditação que aconteceu em seguida, inclusive com experiências de meditação na prática do relacionamento – para quem viveu,  inesquecível!

(Foto: Acervo Coexiste)

A aula foi uma mostra do que os professores têm planejado para o próximo ano. “A meditação fez parte da nossa formação nos últimos 30 anos, mas nunca demos aula sobre isso neste formato. Na Coexiste treinamos o aquietar a mente de um modo bem prático, e por meio dos relacionamentos. E agora chegou o momento de disponibilizarmos essas práticas também”, relatam. Ainda não há algo totalmente estruturado, mas a ideia é ter um curso com aulas semanais sobre meditação. “Queremos contribuir para difundir a meditação como ela é e pra que serve, independente da prática que as pessoas tenham”, concluem. 

Uma nova aula dessas acontece na próxima semana na escola. 

Meditação A Verdade Presencial – Levando a Meditação para o Dia a Dia

Quando: terça, 10/12/2019

Onde: Coexiste – Rua Barbalha, 417 (também disponível por videoconferência)

Horário: 20h30 às 22h30

Incrições: www.coexiste.com.br 

 

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