Para entregar o que o mundo precisa, antes de tudo, observe!

Foto: Tycho Atsma / Unsplash
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Tempo de Leitura: 7 minutos
O atendimento a demandas com precisão depende de uma observação interessada, sem julgamento e de uma mentalidade absolutamente aberta. E isso independe da profissão que exerça

Em tempos de repensar o trabalho, as profissões, propósito, realização e a entrega que se tem para fazer ao mundo – e até mesmo participar dessas mudanças –  tem um ponto que de tão falado alcança um lugar quase batido, mas se olhado com mais profundidade, traz a resposta para tudo isso: atender, com precisão, as demandas que chegam. 

Princípio básico de economia, identificar as demandas é o primeiro passo para se oferecer algo ao contexto. No entanto, quais são as reais demandas em um cenário cada vez mais transformado e com velhos paradigmas caindo por terra, e até onde isso alcança? Como identificá-las e atendê-las com precisão? 

“O profissional imprescindível em qualquer tempo é aquele que professa suas habilidades de maneira precisa com as demandas do contexto e com absoluta disponibilidade”, explicam Kaw Yin e Yan Yin, fundadores da Coexiste, durante o programa A Verdade Está no Ar – Mentalidade Aberta, Contexto e Disponibilidade – A Profissão Futuro. “É aquele que, pelo real interesse por todos os contextos, inclusive pelo contexto onde está em cada momento, não por acaso, consegue discernir com precisão, qual é a sua insubstituível e necessária participação, mesmo que seja pela quietude”. 

Os professores especializados em desenvolvimento consciencial ainda explicam que tais habilidades não se restringem ao background adquirido na formação de cada um. “Olhar dessa maneira nos coloca em um estado de restrição de utilidade e consequentemente restrição de reconhecimento de nossa importância em qualquer lugar que a perfeição universal nos colocou, a partir da estrutura mental experimentada em cada momento”, salientam. “Você não tem uma única habilidade, você tem muitas habilidades”. 

Alcançar o discernimento preciso para se atuar com sabedoria em cada um dos contextos depende, antes de tudo, de observar o que acontece à nossa volta. “Demandas aparecem o tempo todo, e é necessário ter um visão de contexto, olhar para fora para identificar aquilo que precisa ser atendido”, ressalta Yan Yin. “A falta de certeza sobre o que tem que ser feito acontece por se partir de uma percepção individual, que traz premissas muito limitadas”, explica Kaw Yin. 

O entendimento da demanda vem se essa observação é acompanhada do real interesse pelo que acontece , e com a mente absolutamente aberta. “Ao observar, é necessário ter interesse pelo contexto. E aí que começa a ficar mais complicado, pois normalmente as pessoas selecionam seus interesses para cada contexto. Mas onde existe alguém, onde existe Vida, essa Vida faz parte da minha, se eu entender isso, eu vou ter interesse por qualquer contexto”, elucida Kaw Yin. 

A visão dada pelos consultores existenciais parte da consciência sobre a existência, e de como utilizar essa consciência no dia a dia. Num primeiro momento, ela pode parecer muito fora da caixa, pois considera premissas muito mais abrangentes do que estamos acostumados a olhar. Mas a partir do momento que se treina isso, os resultados começam a aparecer. 

Como colocar em prática 

Mayara Rangel, médica de família e comunidade, co-fundadora da Clínica da Família Higienópolis, percebe, hoje, depois de quatro anos treinando o desenvolvimento consciencial, que a profissão tem um novo foco. “Eu me vejo como tradutora. Tenho domínio da Medicina, mas o meu papel é usá-la como ferramenta para responder questões que as pessoas apresentam”. Para ela, essas questões aparecem de muitas formas: dores no corpo, medo de uma doença futura, questões sociais, conflitos familiares… Porém, qualquer que seja a demanda – porque é isso que Mayara considera uma demanda -, a médica vê a sua função como uma de se tornar “disponível e interessada o suficiente para saber do que o paciente precisa”. 

Para a estilista Priscila Nakamoto, que se dedica a atividades de autoconhecimento há alguns anos, e mais precisamente no treinamento da Coexiste há menos de um ano, não é muito diferente. Ela, que trabalha na concepção de linhas de acessórios e calçados, entende que, muitas vezes, a procura não tem tanta relação com o que ela faz, mas com o que pode oferecer. “Muitas vezes, o que eu identifico como demanda não é especificamente relacionado a minha especialidade, ao trabalho tecnicamente executado, mas à troca de ideias e as soluções que surgem dessas trocas”, explica. 

priscila nakamoto
Priscila Nakamoto (Foto: Instagram / Priscila Nakamoto)

Aliás, Priscila traz um ponto importante. Mais do que se atentar às trocas que acontecem no ambiente de trabalho, ela percebeu também que existe um lugar seu de entender que, se uma demanda chegou até ela, é porque ela tem capacidade de executá-la. “Geralmente temos processos muito bem definidos para a maior parte das demandas que surgem. Recentemente, aceitei começar uma linha nova na marca que trabalho hoje, logo, não temos histórico e enxergo isso como uma boa oportunidade de, junto com as pessoas da equipe, estruturarmos melhor o trabalho que será entregue no final”, diz ela.

“Demanda é tudo o que chega para mim, todo e qualquer pedido”, explica Ana Júlia Agostinho, diretora de planejamento na agência VMLY&R . “Um e-mail, alguém que chega na minha mesa, liga no meu ramal… E não só o que vem do cliente, mas o que vem de todo mundo que trabalha na agência e que, de alguma forma, me aciona para pedir algo”.  

Ela, que lida diretamente com briefings, diz que é importante ter uma visão ampla do que são esses pedidos, tanto para atender o que o próprio cliente pede, como saber se o que ele busca é o que também faz sentido para a marca como um todo. “A minha relação com o briefing, assim como com a demanda que chega de alguém da agência, é muito semelhante. Eu olho com muita atenção e tento entender exatamente o que está sendo pedido”, diz a publicitária, que desenvolve esse treino há pouco mais de um ano.  

Como identificar uma demanda? 

Mayara, Priscila e Ana Júlia colocaram visões sobre demanda que são diferentes, mas têm um ponto em comum: a sua capacidade de observação e o interesse pelas pessoa ou situações que se apresentam. 

Esses dois, aliás, são essenciais para determinar exatamente o que é uma demanda. No caso da observação, ela é importante porque você toma consciência do contexto em que você está inserido e como você pode ser útil naquele momento.  

“É uma postura de interesse e curiosidade”, explica Mayara sobre a forma como se coloca no consultório, “e isso faz com que eu, na interação com o paciente, durante a consulta, entregue alguma coisa que o fez sair melhor do que entrou. Quando você começa a exercer a Medicina, é fácil se confundir e entrar na consulta com necessidades, e aí você não consegue olhar para as necessidades do paciente”.

Para ela, saber que um paciente está com diabetes, por exemplo, e já começar a consulta certa de que a necessidade principal é atentar à diabetes daquela pessoa, fecha a sua mente para a possibilidade de conhecer quais são as reais suas necessidades. A médica diz que se colocar nessa postura de disponibilidade torna o atendimento mais completo e, claro, o paciente deixa o consultório com um tratamento que cuida das suas questões físicas, mas também o ajuda a sentir melhor, emocionalmente falando. 

Ana Júlia Agostinho
Ana Júlia Agostinho (Foto: Divulgação)

Ana Júlia diz que, no seu caso, é imprescindível adotar essa postura observadora e interessada durante a conversa com o cliente sobre um briefing. “Eu tento ouvir tudo o que ele precisa, anoto tudo com muita atenção. A minha postura é de extrema disponibilidade e atenção para ouvir o que ele quer, sem julgamentos”, diz.

Essa conduta reforça que os primeiros passos para entender qual é a demanda e como atendê-la é observar o cenário em que você está inserido e ter completo interesse por ele. Pode acontecer, inclusive, de você servir simplesmente como uma ponte entre a necessidade de alguém e uma terceira pessoa que poderá atendê-la de forma mais precisa. 

Ou ainda de apenas ouvir o que o outro tem a dizer, com total interesse, de maneira que ele consiga clarear os próprios pensamentos e entender o que ele mesmo está pedindo.

“As pessoas acham que são sozinhas no mundo, e chegam na consulta com uma questão muito individual – é o corpo dela, são os relacionamentos dela, as questões dela”, diz Mayara. E, durante a consulta, eu posso mostrar que a questão dela é minha também. Acho que me apropriar disso é o que me faz estar disponível também para entender mais as demandas, porque a gente está lá para olhar junto para uma questão dela e que não é só dela. Quando olhamos juntos, eu consigo entender mais, e as soluções aparecem de uma maneira muito fluida. ” 

mayara rangel atender demandas
Mayara Rangel (Foto: Divulgação)

Julgamento, Profissão e Demanda

Um contexto nada mais é do que a expressão de uma estrutura mental. Ao olhar para um cenário, seja ele profissional ou pessoal, o que você vai encontrar na cena são pessoas expressando o que pensam de si mesmas e do mundo. A soma da observação com o interesse resultam em uma leitura dessas estruturas, que tornam esse atendimento à demanda mais preciso. 

É um trabalho exponencial: quanto mais você desenvolve a sua visão de contexto, mais assertivo você é no uso das suas habilidades e no atendimento aos pedidos que estão sendo feitos. 

Mas, para desenvolver essa visão, é necessário tirar da frente uma coisa: o julgamento. Se você observa o cenário com julgamentos na sua mente – daquilo que você acha que é mais ou menos importante, do que você sabe ou não fazer, do que você pode ou não fazer -, você restringe a sua utilidade, não reconhece as necessidades propostas ali e, como consequência, não consegue atendê-las. 

Ao observar, a sua mente precisa estar vazia de conceitos e julgamentos, para não barrar a visão e leitura do contexto em que você está. “Ou você vê a necessidade do contexto, ou você julga“, enfatizam Kaw Yin e Yan Yin. 

“Eu sinto que eu consegui ser útil quando eu, de alguma forma, consegui ajudar a diminuir o nível de conflito do paciente, que vai fazer com que a pessoa viva mais confortavelmente, tenha uma experiência de vida mais feliz. É isso que eu quero, e acho que quando me coloco nesse lugar, quando eu tiro as minhas necessidades da reta e me coloco disponível como tradutora de demanda, não tem como não conseguir fazer isso”, finaliza Mayara.

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Endi
Endi
19 de setembro de 2019 14:53

Amei! Considerações absolutamente assertivas e pontuais…
De uma forma muito clara nos remete ao pensamento no coletivo o que de fato na pratica nem sempre é tão fácil de alcançar.
Gratidão pela belíssima matéria e sobretudo por vocês existirem para nos lembrar que somos um!

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