#Autocuidado: o que significa cuidar de si mesmo?

Foto: Lina Trochez / Unsplash
Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email
Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email
Tempo de Leitura: 6 minutos
Mais do que máscaras para o rosto ou horas de descanso, o verdadeiro autocuidado acontece nos seus próprios pensamentos - e os efeitos que eles têm no seu dia a dia

Uma busca rápida pelo Instagram é o suficiente para sabermos que, sim, o autocuidado é tendência por lá. A hashtag #autocuidado, por exemplo, já acumula mais de 381 mil postagens. Em inglês, #selfcare impressiona, com acima de 18 milhões de fotos e stories sobre o assunto. Hoje em dia, é comum entrar na rede e encontrar por lá fotos e mensagens estimulando e incentivando os usuários a cuidarem mais de si mesmos, seja com um tratamento de pele, seja com alguns minutos de descanso entre uma tarefa e outra durante o dia de trabalho. 

Isso vai além das redes sociais. No ano passado, a Apple anunciou que o aplicativo #SelfCare (ou autocuidado, em inglês) foi escolhido como a tendência do ano. Repleto de jogos interativos, a plataforma incentiva as pessoas a cuidarem de si mesmas e tirarem alguns minutos do dia para relaxar.

Na era da síndrome do burnout, quando o esgotamento mental e físico em relação ao trabalho parece ganhar força – e virou tema de vídeos e mais vídeos de alguns dos principais YouTubers e Instagrammers do Brasil e do mundo -, parece natural que o movimento do autocuidado também cresça, fazendo o contraponto a um momento da história em que as pessoas estão tão cansadas. 

Diz o dicionário que autocuidado é “o conjunto de ações ou procedimentos de cada indivíduo destinado à manutenção da vida, da saúde e do bem-estar”. E faz sentido, afinal, cada pessoa tenta, individualmente, cuidar do corpo e da mente para aliviar sensações que têm no dia a dia, sejam de estresse, de tristeza, de raiva ou de insatisfação com alguma coisa. 

Mas será que, de fato, essas ações de cuidado focadas no corpo e que não consideram, primeiro, aquilo que sentimos, são verdadeiramente efetivas? 

O autocuidado começa (e termina) na mente

Antes de mais nada, é essencial considerar algumas premissas: hoje, o que é importante para você? Quais são os seus valores? Em que você investe o seu tempo e a sua energia? 

A sua rotina gira em torno de coisas que você faz, atividades que tem – trabalhar, pagar as suas contas, o quanto você ganha, a sua saúde… Basicamente, os seus investimentos diários são concentrados na manutenção do seu corpo. Para sobreviver, você precisa comer, dormir bem, ter certo nível de conforto, manter-se ativo… Enfim, precisa que o corpo seja mantido de uma forma que o mundo considera saudável e funcional. 

Ao mesmo tempo, nunca se falou tanto sobre saúde mental – o Brasil, por exemplo, apresenta as maiores taxas de incapacidade por depressão e ansiedade da América Latina, segundo a Organização Pan-Americana de Saúde -, o que significa que a mente das pessoas não vai bem. Mas como mente e corpo se relacionam? De que forma cuidar do corpo, algo físico, interfere na mente, que é abstrata? 

Durante o dia, você pensa coisas, a sua mente trabalha o tempo inteiro gerando ideias, dizendo coisas sobre você mesmo e sobre o mundo ao seu redor. E esses pensamentos têm um efeito no seu corpo – por exemplo: o que vem primeiro, a sensação de ansiedade ou a vontade de comer doce? 

Isso fica claro quando falamos de sensações de estresse. Em um dia muito estressante no trabalho, é comum chegarmos em casa com uma dor de cabeça forte ou termos uma crise de gastrite. Você se sente muito irritado e começa a tensionar o corpo, sente o trapézio dolorido… Se está muito triste, não sente vontade de comer nada, mas se está muito ansioso, pode ter um desejo por comida maior do que o normal. Isso já é algo conhecido, falar sobre questões psicossomáticas, ou ainda se pesquisar o que as pessoas chamam de metafísica da saúde, a relação sentimento/corpo fica bem clara. 

Mas estamos falando aqui de pensamentos mais profundos. E isso vai ficar mais claro ao longo da explicação. 

O que você pensa tem um efeito no seu corpo. Por isso, antes de pensar em como cuidar do físico, os seus investimentos têm que estar em cuidar do abstrato: do que você pensa e sente. 

autocuidado
Foto: Rodolfo Sanches Carvalho / Unsplash

Afinal, quem é você? 

Fato é: você tem uma referência do que é cuidar de você. Aliás, você cuida do seu corpo como se estivesse cuidando de você, de quem você é, porque tem certeza que o corpo faz parte de você.

Mas, antes de escolher pelo cuidado e de buscar formas de incluí-lo no seu dia a dia, a pergunta é: quem é você? Será que você, de fato, é o corpo? Será que essa imagem representa mesmo quem você é? Se o cuidado precisa começar no que você pensa, será que investir no corpo é mesmo o mais efetivo? 

A pergunta que vem antes é: quem sou eu? Senão, eu não vou ter ponto de partida. Se eu sou o corpo, então, eu tenho que cuidar do corpo de verdade”, dizem Kaw Yin Yan Yin, fundadores da Coexiste. “Caso contrário, você fica engatado em uma premissa falsa. Eu sou um espírito. Mas o que é ser um espírito? O nível do espírito e o nível do corpo interagem? Não. Então, por que eu me preocuparia com o nível do corpo? Se eu estou cuidando de mim e eu sou espírito, por que eu cuidaria do corpo?”

Se mente e corpo são instâncias diferentes, e se o que você pensa influencia no físico, então, como disseram os também professores, o seu investimento tem que estar em cuidar da mente, que é um atributo seu. 

Isso, aliás, já é sabido inclusive pela ciência. A física quântica entende que os pensamentos que temos e a gestão que fazemos das nossas emoções influenciam a maneira como a nossa genética física se manifesta – ou seja, como o nosso corpo funciona, dependendo da nossa mentalidade.  

O experimento do cientista e fotógrafo japonês Masaro Emoto com moléculas de água conseguiu demonstrar que pensamentos e sensações, tanto positivas quanto negativas, têm um efeito direto na cristalização ou dissolução dessas mesmas moléculas. 

Estudos não faltam relacionando como a nossa mente interfere na saúde e bem-estar do nosso corpo. Mas a própria mente também não é o que nos define por inteiro. Ela é um atributo, uma característica daquilo que somos, que pode ser chamado de espírito. 

“O meu espírito está com uma questão. A mente, que é o seu ativador de contato com a própria existência, está com uma questão, e é com ela que eu tenho contato com a minha existência. Não é que eu, espírito, estou com um problema. Eu estou com um problema em um acessório meu, que está jogando contra”, dizem Kaw Yin Yan Yin. 

É por isso que o verdadeiro autocuidado acontece na mente. O que precisa de cuidado é o que você pensa, que alimenta ideias sobre você que não são verdadeiras e que refletem no seu corpo. 

Voltamos, então, para a questão dos investimentos. Mudando o foco do corpo para o espírito, e buscando trabalhar a favor dele, para retomar essa conexão com ele, tudo aquilo que você percebe com os seus sentidos, incluindo o próprio corpo, passam a ser ferramentas para essa meta. 

Eu preciso cuidar verdadeiramente de mim. Eu sou espírito, eu quero trabalhar a favor do espírito. A mente que ele usa para focar na sua existência é que está desfocada, então, tem que resolver um problema na mente, um problema de um sistema de pensamento. Eu tenho que lidar com correção no sistema de pensamento, eu não tenho que corrigir o espírito nem o corpo“, continuam os professores, explicando sobre a solução estar num ajuste de foco. Estamos acostumados a focar no que pensamos sobre a vida, sobre nós mesmos e sobre o mundo, pensamentos profundos e inconscientes, que desviam o nosso foco da existência. Para retomar esse contato, é necessário, primeiro, ficar consciente desse mecanismo para, depois, retirar as barreiras que impedem esse contato. E existe um treinamento para isso. 

Mudando, de fato, o que você pensa sobre você e buscando essa conexão com o seu espírito, com a verdade sobre você, o seu corpo vai refletir os efeitos disso. Não significa que você vai deixar de fazer coisas básicas do dia a dia, como comer, dormir bem, fazer exercícios físicos, tomar banho… Mas todas essas atividades passam a ser ferramentas para auxiliar na correção da sua mente e do que você pensa sobre você. 

Nisso, o seu discernimento de valor muda. O cuidado com a mente sobe na sua escala de valor e tudo trabalha em função disso. 

O que vai ajudar você a cuidar da mente? Se, para isso, você precisa comer em um determinado horário, cortar o cabelo e usar uma roupa da moda, se precisa tomar um remédio recomendado pelo médico ou fazer um exame de rotina, tudo passa a ser uma ferramenta, que ajuda com essa meta última de corrigir a visão que você tem de você mesmo. 

TAGS:

RECEBA A Coexiste.info semanalmente no seu E-mail

.Conteúdos relacionados

.Deixe o seu comentário

2

avatar
  Subscribe  
newest oldest most voted
Notify of
Bruna Chieco Ramella
Visitante
Bruna Chieco Ramella

Que importante isso! Cuidar de si mesmo é cuidar da mente, cuidar da qualidade dos nossos pensamentos. ❤

Debora Pierobom
Visitante
Debora Pierobom

Que matéria mais gostosa de ler!!

[adinserter block="1"]

5 filmes que te ensinam sobre a nossa existência

Encontramos no cinema obras que nos ajudam a olhar para a vida e a nossa realidade com outros olhos. Confira!
Leia mais

O que é a Mente

A Mente é o atributo do Espírito que coloca em ação a sua condição criativa.
Leia mais

Especial HackTown 2019

Nossa equipe esteve em Santa Rita do Sapucaí para trazer para você o que rolou de melhor em um dos eventos de inovação mais importantes do pais
Leia mais

O teatro como ferramenta de transcendência

A Coexiste Teatro une o treinamento da consciência existencial aos princípios das artes cênicas para que atores profissionais exerçam a sua função com máxima relevância.
Leia mais