“Uma carta para Tchecov” está em cartaz em curta temporada

Acervo Coexiste
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Tempo de Leitura: 6 minutos
Peça traz uma releitura do texto A Gaivota, de Anton Tchecov, e aprofunda o olhar sobre as questões apresentadas pelas personagens

Nascida do resultado do treinamento de utilizar a arte como uma ferramenta de transcendência, Uma Carta para Tchecov estreou neste sábado, 05. A peça foi produzida e dirigida pelas atrizes Carolina Tiguis e Priscilla Carvalho, professoras da Coexiste Teatro, em conjunto com o grupo de 17 alunos da especialização Bases Imprescindíveis para o Ator Profissional, e terá seis apresentações ao longo do mês de outubro. 

Uma releitura de A Gaivota, de Anton Tchecov, a peça remonta um mergulho pelas mentalidades dos personagens, e traz, também, as respostas encontradas a partir de um estudo aprofundado tanto sobre a obra de Tchecov quanto sobre as questões retratadas pelos personagens, daí o título da peça. Você pode conferir o trabalho desenvolvido pelo grupo na reportagem abaixo. 

A peça fica em cartaz no espaço Casa Teatro de Utopias, na Vila Romana, em São Paulo. 

Uma Carta para Tchecov

Onde: Casa de Teatro de Utopias – Rua Duílio, 46 – Vila Romana – São Paulo

Quando: 05 e 06; 12 e 13; 19 e 20 de outubro de 2019; sendo sábados às 21h30, e domingos às 20h. 

Ingressos: R$ 50 

Compra: https://www.sympla.com.br/eventos?s=tchekov

 

O teatro como ferramenta de transcendência

Qual é a importância de se conhecer a mentalidade humana para exercer o ofício de ator? Quando pensamos de uma maneira rápida sobre essa profissão parece que toda. Afinal, representar diferentes comportamentos humanos é a função de quem atua. Agora quando isso é levado tão profundamente a ponto de servir como uma ferramenta de compreensão e transcendência dos conflitos humanos, a função do ator passa a assumir a sua real relevância. Essas são as premissas que direcionam o trabalho da Coexiste Teatro, área de treinamento artístico da Coexiste, escola que ensina sobre a existência, localizada em São Paulo. 

A Coexiste Teatro teve como atividade inicial a oficina Do Ator à Criação: Encontrando a Disponibilidade na Interpretação, que ensina, em seis dias, de uma maneira muito prática, a atuação a partir do entendimento da mentalidade e da comunicação humanas. Com 22 edições realizadas ao longo de seis anos, o treinamento gerou nos atores profissionais, alunos da Coexiste, um pedido por um curso mais aprofundado sob essa perspectiva. 

“Na oficina, a pessoa percebe algo que fica na intuição. Quem decide ser ator/ atriz é porque em algum momento se sentiu tocado pela arte cênica, sabe que aquilo mexe com as pessoas, mas quando vai estudar, não se é falado sobre isso”, aponta Priscilla Carvalho, atriz e professora da Coexiste Teatro. 

“A oficina é uma resposta bem objetiva para essa demanda, o que para o ator é ouro. E os atores nos pediram algo que fosse aplicado profissionalmente”, complementa Carolina Triguis, consultora existencial responsável pela atividade, atriz e também professora do curso. 

Desta maneira nasceu o curso Bases Imprescindíveis Para o Ator Profissional, que reúne em seu conteúdo temas como o desenvolvimento da escuta, a visão sistêmica do mundo, empreendedorismo e servir, além do desenvolvimento técnico.  “O que definimos como entrega do curso é que o ator profissional tem que saber fazer uma leitura do mundo a ponto de identificar e conhecer as dores, e saber fazer um conteúdo a partir disso, e transformar isso em uma peça”, conta Carolina. 

Sobre a formação das professoras, Carolina é formada em Artes Cênicas, Psicologia e em Consultoria Existencial, dedicando os últimos dez anos ao treinamento da Coexiste, onde atua como professora do curso de aprofundamento também; e Priscila também é formada em Artes Cênicas, com mestrado em interpretação e está no treinamento existencial da Coexiste há 9 anos, onde atua como professora na orientação a alunos do curso. 

coexiste teatro
Carolina, Kaw Yin, Yan Yin e Priscilla (Foto: Acervo Coexiste)

Pontos trabalhados

O curso teve início em agosto do ano passado, e o trabalho com 20 atores começou com desenvolver o interesse em entrar em contato com os fatos e com as pessoas, a partir de dinâmicas que envolveram entrevistas, pesquisa de campo, estudos, e até compreender pinturas a ponto de remontá-las em forma de cenas. “A orientação foi: acima de tudo é necessário ouvir. Abrir a escuta de uma forma menos intelectual”, enfatiza Priscilla. No encerramento desse primeiro módulo, os alunos encenaram Casa de Bonecas, de Henrik Ibsen. 

No segundo módulo, com a escuta desenvolvida, os atores aprenderam a ler o contexto. Divididos em grupos, eles precisaram pesquisar temas atuais que estão impactando o mundo, tais como inteligência artificial, blockchain, o futuro do trabalho, as plataformas de streaming, temas que não estão relacionados com a arte. “A ideia nessa fase foi colocá-los em contato com temas que eles não estão acostumados a lidar, para olharem para algo que nunca tinham olhado”, explica Carolina. 

Depois de entender essa leitura do mundo, foi o momento de trabalhar personagens, localizando as suas dores, mapeando a mentalidade de cada um deles e fazendo exercícios de olhar profundamente para cada um dos arquétipos. “Como resultado, eles começaram a ter a falas do personagem, se relacionar com os personagens, sem nunca ter lido o texto”, revelam as professoras.  

“A partir disso, o ator começa a entender tudo o que está contido no texto. Isso muda a cabeça de um profissional pra sempre, pois ele entende aquilo de dentro. Quando o contato vem da leitura, por exemplo, é fácil buscar entendimentos intelectuais a partir das próprias opiniões”, conta Priscilla. Ela ressalta que essa metodologia de criação do personagem foi escrita por Stanislavski, teatrólogo russo, no final de sua vida. No entanto, o conhecimento da mentalidade humana e a prática em desenvolver treinamentos para as pessoas entrarem em contato com isso fez com que, por intuição, Kaw Yin Yan Yin escrevessem sobre isso antes de conhecer este conteúdo. Quando identificaram essa convergência, houve uma junção dos treinamentos. 

“Quando você começa a olhar para a construção de um personagem a partir do entendimento do comportamento humano, e aprofunda esse olhar, você vai em busca de entender a construção de uma mentalidade, de olhar pra isso, e desenvolver metodologias para a solução dessa construção, muitos vão acabar falando dos mesmos caminhos, mesmo sem conhecer”, esclarece Carolina. 

A Gaivota

Entendido que estavam trabalhando os personagens da peça A Gaivota, de Anton Tchekhov, seguindo a proposta de aprofundar o contato,  o grupo passou a estudar não só a peça, mas o contexto histórico em que o autor vivia, suas obras, e qual era a sua motivação ao escrever aquilo, por exemplo. A leitura que fazem de Tchekhov é que, como médico e artista ele era um profundo conhecedor de perfis comportamentais, e coloca nos personagens mentalidades muito diferentes, e de uma maneira transparente, sem crítica, de modo que quem assiste pode se reconhecer ali sem ser julgada. 

A primazia do texto do escritor russo aliado ao treinamento de identificar a mentalidade e de depurar os arquétipos, permite que se localize com precisão a dor que cada personagem representa. “O teatro fala do humano geral, por isso que dá certo. Um texto de 300 anos na Rússia, é possível se identificar, porque nós todos sentimos as mesmas coisas, as sensações humanas são muito as mesmas. E eu acho que a gente levou à última instância disso, sabe o mínimo múltiplo comum da matemática? Que você vai desmembrando, até que você chega e fala ‘é isso!’. Esse foi o treino que a gente fez com Kaw Yin Yan Yin, de saber pegar um texto e olhar qual é o MMC que tem ali de uma sensação. Sobre qual dor exatamente está sendo falada”, explicam. 

Gerar solução

Identificadas as dores, o próximo passo trabalhado foi a busca por soluções. Os alunos identificaram em si mesmos essas dores, e lançaram mão do treinamento existencial que têm para encontrar soluções, que eles já conhecem, explica Carolina.  “As pessoas sentem coisas parecidas, e quando entram em contato com as sensações dessa maneira, a vontade de solução brota. E como alunos da Coexiste, são pessoas muito treinadas a olhar para a mente de uma forma muito profunda. Quando eles começaram achar soluções, eles abriram o coração e encontraram preciosidades para os personagens que já estavam prontas neles mesmos”. 

O célebre texto russo expõe as angústias que povoam a mente humana, e permite que as pessoas olhem para isso sem receios, que é a experiência que o teatro em sua essência oferece. Na montagem feita pelos alunos para a conclusão do módulo, apresentado no prédio da escola, Tchekhov foi inserido na peça, e ao final, os atores, despidos dos personagens, apresentaram a eles os caminhos percorridos para sair dessas dores. “São atores que pisam no palco sabendo que tudo tem saída, eles já contam o enrosco sabendo que não é assim. Isso já está solucionado em algum lugar, eles já viram a solução. Se eles não resolveram, está em processo. E a gente não permitiu falar teoricamente sobre algo, senão não seria efetivo”. 

Eddy Stefani como Anton Tchekhov (Foto: Acervo Coexiste)

O público convidado se emocionou com o que viu. “O teatro tem essa função de tocar. E quem assistiu à peça até hoje nos dá feedback do quão marcante foi para elas essa experiência, do quanto entenderam coisas”, relatam. 

Como a proposta do curso é entregar a solução em forma de peça, no novo módulo eles apresentarão a peça em um teatro. E agora, aprendem sobre produção, empreendedorismo e técnicas de corpo e voz. “Depois de toda essa base, a técnica é importante para que não haja ruídos na comunicação da mensagem a ser passada”. As apresentações acontecem em outubro, em três finais de semana: 05 e 06; 12 e 13; e 19 e 20. 

Quanto ao curso, depois de toda metodologia desenvolvida, e experimentada, o próximo passo é abri-lo para não alunos da Coexiste e difundi-lo para o público envolvido com as artes cênicas. 

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