Como a física quântica reforça uma nova visão do mundo

Foto: Hal Gatewood / Unsplash
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Tempo de Leitura: 6 minutos
Estudos dos mais variados nos levam a questionar a materialidade do mundo, o tempo e o efeito das nossas ações, e podem ser um caminho para a verdade de todas as coisas

Já foi dito que a realidade “é tudo o que, de fato, existe”. Pode ser que você ainda entenda “o que existe” como tudo aquilo que você vê com os olhos e toca com as mãos. 

Porém, a física quântica tem demonstrado, ao longo dos anos, e com uma série de estudos e experimentos, que o mundo não é exatamente como vemos, mas, sim, como pensamos. Por isso, reunimos aqui alguns conteúdos sobre fatos comprovados pelos estudiosos da área que nos levam a refletir sobre a nossa percepção de mundo. 

A realidade depende de quem a vê

Segundo as teorias quânticas, o observador influencia nos fatos. Isso significa que quem observa um objeto ou ação (por exemplo, uma bola de tênis), não necessariamente vai observar a mesma coisa que a pessoa do seu lado. 

Físicos da Universidade de Heriot-Watt, liderados pelo professor Alessandro Fedrizzi, fizeram um experimento com quatro personagens, de nome Alice, Bob, Amy e Brian. Essas quatro “pessoas”, na verdade, eram máquinas muito sofisticadas, criadas em laboratório especificamente para o experimento, de forma a reproduzirem a comunicação no nível quântico, que acontece em uma escala nanométrica. Primeiro, Alice e Bob recebiam uma informação (um fóton, resultado do entrelaçamento quântico) para, depois, repassá-la para Amy e Brian. 

A surpresa veio quando os físicos perceberam que Amy e Brian interpretaram a informação de forma diferente que Alice e Bob, todas as vezes que o experimento foi feito. É uma versão mais complexa e científica de uma brincadeira de telefone sem fio, em que a mensagem se perde ou é modificada ao longo do caminho que percorre. O resultado concluído pelo estudo foi esse: a nível quântico, fatos objetivos não existem, e um mesmo fato é visto de formas diferentes dependendo de quem o observa. 

Para entender mais:

O tempo é relativo, mesmo

A teoria da relatividade de Albert Einstein engloba muitos aspectos – principalmente, foi uma forma de explicar o que é a gravidade, refutando a ideia de Isaac Newton de que ela é uma força de atração, mas o resultado de uma alteração na dimensão espaço-tempo causada pela massa do Sol.

Isso, claro, se estende à própria noção de tempo. O que a teoria de Einstein diz também é que não existe passado, presente ou futuro, e que o tempo “é só uma ilusão, ainda que persistente”. Esses períodos são relativos, inclusive, dependendo de cada pessoa. Você e quem está ao seu lado parecem estar no mesmo período só porque vibram em velocidades semelhantes.

Se vocês estivessem se movendo a velocidades diferentes, então, perceberiam que um está envelhecendo mais rapidamente do que o outro. Caso um estivesse mais próximo do que o outro de um grande centro de gravidade como a Terra, envelheceria de forma mais devagar – o tempo “passa” mais lentamente quanto mais próximo desses focos gravitacionais.

Existem, inclusive, exemplos práticos de como isso funciona: é comprovado que os astronautas envelhecem mais lentamente do que as pessoas que ficam na Terra. Apesar de quem está no chão estar mais próximo do centro de gravidade, os astronautas viajam a uma velocidade infinitamente maior. O tempo de envelhecimento é bem pequeno, o equivalente a 0,005 segundo a menos, depois de seis meses no espaço. Mas, ainda assim, a diferença está lá.      

Existe muito mais na teoria de Einstein sobre o assunto, inclusive sobre como você “empresta” impulsionadores que mudam a contagem do tempo (isso fica claro quando comparamos você sentado em um poltrona e cruzando a estrada em um Porsche, por exemplo).

Para entender mais:

Um movimento aqui afeta o outro lado do universo

Existe na física quântica um fenômeno chamado “entrelaçamento quântico”, que explica como duas partículas conectadas imediatamente compartilham o seu estado físico – não importando a distância que os separam. 

Basicamente, o que acontece é que quando um elétron encontra o seu gêmeo antimatéria, os dois se aniquilam com um pequeno flash de energia. Esse impacto resulta em dois fótons, que agem de forma espelhada: quando um gira para um lado o outro gira para o outro, como uma dança. E esse movimento acontece simultaneamente, não importando em que lugar do universo esteja um dos fótons. Os resultados implicariam, inclusive, que a comunicação entre esses fótons é mais rápida do que a velocidade da luz, o que gerou um grande rebuliço no mundo da ciência e fez o próprio Einstein chamar o fenômeno de “assustador”. 

O experimento original, registrado por John Bell, também é conhecido como Emaranhamento de Bell, e já chegou a ser fotografado em ação, comprovando a sua funcionalidade. Esse efeito tem, inclusive, aplicações práticas: ele é usado na computação quântica e em processos de criptografia. 

De forma mais simples, o que isso explica é que todas as coisas estão conectadas, o que questiona também, cientificamente, a ideia de que o acaso existe. 

Existe também uma nova linha de estudos – o estudo da sincronicidade -, que justamente tenta explicar a existência daquilo que as pessoas chamam de acaso. A ideia, desenvolvida pelo matemático Steven Strogatz, da Universidade de Cornell, nos Estados Unidos, é que a sincronia entre sistemas que interagem entre si explicam a ordem coletiva, e a partir da compreensão da sincronicidade em um desses sistemas, é possível entender a ordem por completo.

Para entender mais:

O material não é exatamente material 

Você segura uma bola de gude nas mãos e tem certeza que ela está ali. Acontece que, segundo a física quântica, o material não é exatamente material, porque os átomos não são feitos de matéria, mas, sim, de energia. 

O que os físicos explicam é que o que vemos como material – por exemplo, uma mesa -, é o resultado da mudança no nível de energia desses elétrons, que pode variar, gerando padrões e cores diferentes.

Mas e a sensação de sólido? Bom, isso também tem a ver com a quantidade de energia dos átomos e seus elétrons. O que acontece é um encontro de energias, que precisam ser potencializadas quando se aproximam. Os seus dedos são feitos de átomos tanto quanto a mesa e, quando um vai de encontro ao outro os elétrons de um tentam se encontrar com os núcleos dos outros, causando uma mudança no padrão de movimento de núcleos e elétrons. O resultado é a sensação de encostar nas coisas que você tem durante o dia. 

A física pode ser aplicada nos seus relacionamentos

Antigo professor de física da Universidade de Oregon, Estados Unidos, Amit Goswami desenvolveu um conceito chamado de “ativismo quântico” – e explorado no seu livro “Ativismo Quântico – Princípios da Física para Mudar o Mundo e à nós Mesmos”. Segundo ele, a física quântica é um caminho para as pessoas se relacionarem de uma maneira mais profunda umas com as outras, por causa do princípio quântico de imaterialidade. 

Como todos são feitos da mesma energia – os átomos não são sólidos, lembra? -, é possível gerar uma conexão entre um e outro de forma muito mais profunda e que acaba com sensações de tristeza e solidão. À essa energia, Amit dá o nome de “consciência”, e é ela que, ao se expressar, forma as imagens como as vemos. De acordo com o físico, o que as pessoas são de verdade, essa consciência, não é material, e é através dela que devemos nos conectar com os outros, não com o foco no corpo. 

Fazer isso, porém, exige treino, e ele explica que é preciso primeiro cada um encontrar em si esse lugar “não-localizável” no mundo material, como ele diz, para depois usá-lo como a base dos relacionamentos com os outros. 

E tem mais: um estudo feito pelo bioquímico Douglas Theobald explica que todas as espécies derivaram de uma mesma célula, de um mesmo ancestral comum, o que também leva a comunidade científica a pensar que a origem da vida é a mesma para todos.  

Para saber mais:

O que isso diz sobre nossa existência?

Muitos dos conceitos que você viu acima trazem uma nova visão sobre o mundo, e nem sempre fica claro como aplicá-los no dia a dia, uma vez que estamos acostumados a perceber o mundo de uma maneira especifica, onde nossos sentidos parecem nos dizer o que é real. Quando mudamos a perspectiva, e ficamos mais conscientes sobre conceitos como realidade, verdade, vida, existência, fica mais fácil compreender o que a ciência comprova, a partir de seus estudos e observações, a partir de uma leitura do que, de fato, acontece. Aqui estão alguns exemplos de como conceitos como tempo, mundo, sincronicidade podem ser reolhados a partir da consciência sobre nossa existência.

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