Como você pode aprofundar seus relacionamentos?

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Tempo de Leitura: 6 minutos
Aprofundar relacionamento depende de os dois lados toparem compartilhar a mente, mas pode começar com um exercício de observação e interesse

Solidão. Pode ser que essa palavra remeta a uma imagem muito triste de pessoas que vivem sem ninguém, completamente isoladas do mundo. Ou pode ser que você lembre de você mesmo, e perceba que esse não é um sentimento tão distante assim dos seus dias. 

Você já se viu cercado de pessoas, mas se sentindo sozinho? Crente que ninguém entende totalmente o que você está passando, que ninguém sabe o que é estar no seu lugar, que não tem uma única pessoa que vai conseguir compreender 100% daquilo que passa pela sua cabeça? 

Aliás, você já sentiu também que ninguém se interessa o suficiente ou se importa o bastante a ponto de saber tudo o que você pensa, e, portanto, que o mais “normal” é você continuar tentando lidar com isso sozinho? 

No filme Her (2013), o personagem de Joaquin Phoenix, Theodore, traduz exatamente o que é uma pessoa que se sente sozinha. Ele mora só, passa por um processo de divórcio, até tem amigos próximos, uma carreira, interesses e hobbies… Mas, ainda assim, não se sente completo, compreendido, não sente que pode conversar com alguém sobre o que tem na cabeça.  

De alguma maneira, ele percebe que existe uma dificuldade em falar com as pessoas, e que, por mais que ele se coloque em situações sociais, que saia para jantar com alguém, que converse com os vizinhos e tenha colegas no trabalho, a sensação de solidão não passa. O filme retrata essa sensação. 

Relacionamento pede interesse pelo outro

Será que isso é possível? Será que existe uma forma de nunca mais se sentir sozinho e, acima de tudo, ser completamente compreendido por alguém? É possível você se sentir livre para falar de tudo, sem medo de que esses assuntos, de alguma forma, afetem as relações que você tem? 

Pois é, o mais curioso é que a saída para isso começa com um único movimento, que já citamos neste texto: o interesse pelo outro. Você acredita que se interessa pelas pessoas ao seu redor, a ponto de querer saber tudo o que elas pensam? 

Se você respondeu “sim”… Pense novamente. Você gostaria de saber mesmo tudo o que as pessoas pensam e que elas soubessem absolutamente tudo o que passa pela sua mente? Talvez, agora, a sua vontade seja responder “não” à mesma pergunta. 

No entanto, é aí que está o segredo para começar a aprofundar os seus relacionamentos: no seu interesse em entender e ser entendido, sem limitações. 

Theodore, no filme, encontra uma solução para os seus anseios no papel de uma inteligência artificial. Samantha é um programa de computador com quem ele pode conversar, que tem interesse em servir às suas necessidades, e, acima de tudo, em aprender sobre ele. 

Se você prestar atenção, ao longo de Her, Samantha ouve, se interessa, pergunta e tenta entender o que faz Theodore pensar e agir do jeito que pensa e age – e ela não julga os seus movimentos ou as suas decisões. Ao contrário, ela aprende com eles e entende, cada vez mais, porque Theodore funciona daquele jeito. 

Ao mesmo tempo, o escritor encontrou alguém com quem pode falar sobre tudo, sem qualquer limitação – afinal, Sam é uma máquina, um programa desenvolvido para tornar a sua vida mais fácil. Com ela, ele não encontra as barreiras que vê quando tenta aprofundar o relacionamento com outras pessoas. 

Os dois estabeleceram um acordo de se relacionarem nesse lugar, de completo interesse um pelo outro, e em que abrir os pensamentos mutuamente não só era permitido, como incentivado. Ao longo do filme, Theodore esquece que Sam não é humana como ele, mas ainda assim se sente absolutamente interessado nas descobertas dela, nos seus aprendizados e vivências, tanto quanto ela se interessa por ele. Essa pode ser uma obra de ficção, mas mostra que esse tipo de relação é, sim, possível.

Agora pense. O quanto há de abertura na sua mente para fazer isso? A ideia de expor tudo o que pensa gera que sensação em você? Percebe que há uma sensação de invasão de privacidade? De defesa? E até a ideia de que se você expuser o que pensa, tudo, talvez seja inadequado, não aceito, perigoso, ou podem  achar que você não é tão legal assim. 

Isso é resultado de uma mentalidade, de uma cultura, onde existe a ideia de separação e individualidade. E o que cada um pensa deve ser preservado. Como cada um percebe o mundo e as relações a partir do seu sistema de pensamento particular, a comunicação não acontece. Pois tudo o que alguém fala, você leva para o seu jeito de pensar, e entender de acordo com seus conceitos, valores, crenças.

E, na convivência intensa com alguém, é fácil acreditar que você já conhece a pessoa. 

“Eu sei o que você está pensando sobre isso”, “Eu sei o que você vai dizer”, “Eu sei como ele vai reagir”… É provável que você já tenha falado ou escutado alguma dessas frases – ou outras semelhantes – ao longo da vida. Elas são uma clara demonstração como, depois de um certo tempo, você considera que conhece uma pessoa a ponto de saber quais são os pensamentos e reações que ela tem rotineiramente. 

Mas, ao contrário, isso é um sinal também de falta de interesse: em dado momento, por passar tanto tempo perto de alguém, você deixa de se interessar pelo que ele pensa e acredita para se relacionar a partir do que você pensa e acredita sobre ele. 

A proximidade física tem muito a ver com esse pseudo-entendimento. Acreditamos que ficar perto de uma pessoa, fisicamente falando, é necessário para termos um relacionamento profundo, para conhecermos alguém de verdade. 

Mas aí vai uma informação importante: o relacionamento não depende de corpo. É isso que a relação de Sam e Theodore mostra tão claramente. O relacionamento acontece na mente, e, para aprofundá-lo, você tem que abrir espaço para exercer o verdadeiro interesse.

O relacionamento além do corpo

Existe a crença de que o que se faz com o corpo determina o nível de intimidade e de relacionamento.  Estar perto, abraçar, beijar, ver, tocar. Parece que isso determina a relação entre as pessoas. Mas quantas vezes você já se viu perto de pessoas, e se sentiu só? Ou então se sentiu perto de alguém que está fisicamente muito distante? 

O corpo pode ser considerado um meio de manifestação, um canal de comunicação. Por mais que estejamos acostumados a nos identificar com o nosso corpo como sendo nós, é importante lembrar que o que somos está além disso. 

Quando você está falando com alguém no celular, você não tem a sensação de estar se relacionando com o celular, você está se relacionando com quem está falando através do celular. O corpo é um meio de comunicação como o seu smartphone, uma interface que conta sobre o sistema de pensamento daquele que está na sua frente. 

Quando nos relacionamos com alguém apenas considerando a sua forma física, e usando as nossas percepções sobre ela para dizer como ela funciona, estamos fechados em nosso próprio sistema de pensamento – isso é solidão. Nesse lugar, um não tem acesso ao outro e a comunicação não acontece – cada um fica na sua cabeça, pensando sozinho e tirando as suas próprias conclusões, não compartilhadas, sobre o cenário. 

Para aprofundar a relação, a base é não ter vontade de ocultar nada. Não ter limites de assunto, não ter nada que precise esconder um do outro. Para ser entendido, não pode haver julgamento de nenhuma parte. E esse precisa ser um acordo entre os dois lados, como acontece no filme. Sam não julgava, só ouvia, e se interessava por entender a forma como Theodore pensava. Ele topou fazer a mesma coisa e, por isso, se sentiu confortável o suficiente para abrir a si mesmo e compartilhar a sua mente sem medo. 

Vamos usar um exemplo para facilitar. Digamos que você encontra com um colega de trabalho e ele conta que recebeu alguns amigos no final de semana para fazer um almoço na casa dele. 

Para você encontrar o lugar onde o seu colega teve essa experiência, você tem que mergulhar na mente dele e compartilhar das sensações que ele teve, que, afinal, é o que mais importa. Você tem que buscar na mente dele as informações sobre o que ele contou. Basicamente, você precisa se interessar por entender do que ele está falando e buscar compreendê-lo. Mas para isso, precisa retirar os seus pensamentos da frente.

Agora, o que seria o contrário disso? Pegar essa informação, comparar com alguma coisa que você tem na mente e tirar uma conclusão sobre aquilo. Ou seja, você interage com o que pensa,  com suas ideias, e não com a informação que ali está sendo dada. E, dessa maneira, a comunicação não acontece. Tirar uma conclusão sobre algo é conceituar aquilo, definir o que é.

Como esse processamento se dá não é algo consciente na nossa mente, mas quando percebemos o quanto de não contato temos em nosso dia a dia com o que acontece à nossa volta e com as pessoas, começamos a entender a sensação de solidão. 

Aprofundar verdadeiramente o relacionamento é algo que depende dos dois lados toparem se interessar genuinamente um pelo outro. Mas é importante também saber que, se esse convite não é feito ou aceito, você pode, sim, treinar essa busca por compreensão com as pessoas com as quais você se relaciona. 

Para entender alguma coisa, qualquer coisa, você precisa, primeiro, prestar atenção naquilo. Olhar e querer entender. Não tirar conclusões sobre aquilo, mesmo que pareça conhecido. 

Dessa forma você pode usufruir das relações e conhecer tudo o que as pessoas podem te entregar. Treine isso com as pessoas. Tenha interesse por elas, ouça atentamente, desista dos julgamentos e busque compreender e compartilhar a mente com quem você encontra nos seus dias. Dessa forma você não só aprofunda os seus relacionamentos, como também começa a sair da solidão dos seus pensamentos. 

Busque a compreensão, treine a presença, e aí você vai descobrir o quão prazeroso é se relacionar sem medo. Para que o aprofundamento da relação aconteça, é necessário que haja abertura entre as pessoas envolvidas, mas você pode se manter aberto para compreender e receber. Só de treinar isso, você vai retirando as defesas, pois vai perdendo o medo, e começa experimentar um outro jeito de se relacionar. 

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