Conhece-te a ti mesmo para que não procrastines

Pedro da Silva / Unsplash
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Tempo de Leitura: 5 minutos
Para parar de procrastinar, o primeiro passo não é olhar para a sua lista de tarefas, mas para aquilo que você está sentindo. Mudar a sua sensação e relembrar a sua meta é o caminho mais rápido para diminuir a procrastinação

“Eu acho que todos vocês são procrastinadores”. É isso que o escritor e blogueiro Tim Urban disse para o auditório lotado durante a sua palestra “Por dentro da mente de um procrastinador”, feita no TED em 2016. Com mais de 33 milhões de visualizações até o momento, ele explica na conversa de 14 minutos como todas as pessoas têm uma forte tendência procrastinadora em algum nível. 

Talvez ler este texto agora seja a sua forma de procrastinar uma tarefa que você não sente que está tão a fim de cumprir. Para outras pessoas, a procrastinação aparece como uma passeada de alguns (muitos) minutos pelas redes sociais. Para outros ainda, é uma pausa mais alongada para o café no meio da tarde. Qualquer que seja o formato, porém, procrastinar é um comportamento comum. 

A ideia é simples: deixar para depois uma tarefa que, em tese, deveria ser feita agora. É o mesmo que postergar, mas com uma conotação um pouco diferente. Ao longo do tempo, o ato de procrastinar passou a ser visto como algo negativo, uma ideia ruim, muito conectada à preguiça ou à falta de motivação. 

Afinal, por que procrastinamos tanto? 

Até o momento em que o desespero bate à sua porta, procrastinar parece bom. “Dar um tempo” do trabalho para colocar a “cabeça no lugar” para cumprir a tarefa depois soa como a melhor coisa a fazer. Mas, na realidade, não é bem assim que funciona. “Pesquisas mostram que a injeção de prazer que nós sentimos ao evitar uma tarefa agora tem vida curta. Nós podemos nos entregar a isso para nos sentirmos bem, mas isso não dura. E muitos de nós experienciam um bocado de culpa ao fazer essa escolha”, diz Timothy Pychyl, que há 20 anos estuda a procrastinação e os seus efeitos na rotina. 

Segundo explica no seu livro Solving the Procrastination Puzzle: A Concise Guide to Strategies for Change (Resolvendo o Enigma da Procrastinação: Um Guia Conciso para Estratégias de Mudança, na tradução livre em português), procrastinar é um ato voluntário e consciente, ou seja, a própria pessoa decide, deliberadamente, postergar uma atividade ou tarefa, mesmo sabendo que isso não fará bem a ela no longo prazo. A sensação final de desespero, culpa ou estresse é considerada diante da procrastinação – e ainda assim escolhe-se por ela. 

Reverter essa condição não é simples, apesar de ser possível: é preciso, antes de mais nada, fazer uma investigação profunda de como esse mecanismo procrastinador funciona. A busca começa no âmbito das sensações, assumindo o que você sente perante a situação, mas sem se envolver com esses sentimentos. Para o autor, é desenvolver uma visão sem julgamentos daquilo que se sente, procurando se posicionar apenas como um observador dessas sensações. Seguindo daí, o próximo passo é a ação, focando em qual a primeira atividade prática que leve você a cumprir a tarefa procrastinada até agora. 

Para Ana Queiroz, nome por trás do Eu Organizado, plataforma focada em organização pessoal, a definição de procrastinação não está muito distante disso. Ela pode ser vista como nós emocionais ou barreiras invisíveis, ou ainda como uma genuína vontade de não fazer nada. 

No primeiro caso, assim como diz Timothy, a autoavaliação é um ponto-chave: “Pense na procrastinação como sendo esse penhasco que você não está vendo entre você e uma tarefa porque alguma parte sua está com medo, insegura, tem uma associação negativa, está, às vezes, até zelando pelo seu bem-estar, porque essa parte sua acha que se você fizer aquela tarefa algo de ruim vai acontecer, então ela te impede de fazê-la”, diz.

Por exemplo, você tem uma apresentação para fazer no trabalho que pode trazer maior reconhecimento profissional. Por medo dos resultados disso (e de uma possível promoção), você adia ao máximo pensar nela ou montá-la, na esperança de que quanto menos atenção der à isso, melhor. Até que chega o momento decisivo em que você precisa agir para montar a apresentação e, de fato, executá-la. Ana explica que é esse tipo de barreira invisível que determina 80% dos casos de pessoas que procrastinam. 

O segundo ponto é mais simples. A especialista em organização intuitiva diz que pode acontecer de a procrastinação ser resultado apenas de um cansaço físico e mental, e dar-se tempo para recuperar as energias é essencial para retomar as atividades com máximo foco e produtividade. Qualquer que seja o motivo, as sensações ruins decorrentes da procrastinação podem ser evitadas. 

O que gera procrastinação é ignorância e falta de autoconhecimento, de mergulho emocional”, explica. “Quando a gente começa a entender que a gente tem alguns medos, alguns traumas, a gente olha para procrastinação de um jeito muito mais leve e acolhedor”.

O motivo de procrastinação é variável, por isso Ana vê a autoinvestigação como um ponto essencial para, no mínimo, reduzi-la ou deixá-la mais consciente. Um exercício que ela diz ser necessário, no entanto, é entender onde ela nasce. 

“A procrastinação, para mim, é um aparente conflito de necessidades internas. Você sabe que precisa fazer certa coisa, mas ao mesmo tempo você não quer fazer aquilo naquele momento. Aí, entra a pergunta: eu não quero fazer isso porque estou precisando descansar, porque genuinamente quero não fazer nada de uma forma ativa, ou porque estou sentindo medo, insegurança, porque tem algum calcanhar de aquiles meu sendo ativado aqui?”, questiona. 

É por isso que a profissional recomenda a terapia e a meditação como formas de reverter uma rotina de procrastinação. Não porque essas práticas ajudem na conclusão de tarefas, mas porque são definitivas para que cada um comece a olhar para dentro de si e a entender o que sente e pensa, e quais dessas barreiras invisíveis consegue identificar para, de fato superá-las. Práticas de autoconhecimento como essas são uma forma de ajudar na compreensão das suas prioridades e onde a sua energia está focada – caso seja em algo que não é benéfico, o exercício seria, então, rever esses investimentos. 

Ana diz não ser possível reverter 100% da procrastinação, mas fazer essa mudança de ponto de vista é de extrema importância. Buscar sair dela parte dessa auto-análise constante, sempre perguntando se o seu estado físico e mental precisa de atenção – e por isso você procrastina -, ou se existe algum nó emocional que precisa ser desatado. “É entender se essa vontade de deixar uma tarefa para depois está vindo da sua necessidade de fazer nada ou se você está procurando desculpas para não fazer aquela tarefa, mas na verdade você está fazendo outras coisas”, explica. 

A mudança é de sensação, não de tarefa

Timothy explica que a vida emocional de um ser humano é algo muito complexo, dinâmico e intenso, que pode mudar como o clima. Começar uma tarefa e terminá-la aumenta o nosso bem-estar e a nossa autoestima a longo prazo, enquanto evitá-la pode trazer um alívio imediato, mas que se transforma em culpa e baixa autoestima mais para frente. “O ponto chave é que as nossas sensações vem e vão, elas seguem o nosso comportamento, mas não devem ser as responsáveis por determiná-lo”, diz. 

Para Ana, existe um valor embutido nas nossas ações, mesmo que essa ação seja considerada por nós como algo que não deveria ser feito naquele momento. “A gente sempre tira alguma coisa da realidade que a gente cria. A gente sempre se beneficia com o que está fazendo. O valor que a pessoa vê em procrastinar é muito particular. Cada um tem que fazer a auto-investigação e se perguntar o seguinte: eu deveria estar fazendo tal coisa, mas estou fazendo outra. Por que eu estou querendo fazer essa outra coisa, qual é a sensação vantajosa, o benefício emocional que eu estou tendo nessa outra coisa ao invés da tarefa que eu deveria fazer?”. 

Isso tudo significa que mais do que pensar em listas de tarefas e gestão do tempo, o principal é buscar resolver as sensações que você sente no seu dia a dia, porque são elas que têm determinado o seu comportamento até então. Por medo, você evita uma tarefa. Por não se achar capaz, deixa de fazer outra, e assim por diante. Mas existe uma solução definitiva para todas elas: ter clareza sobre o seu propósito, o porquê que direciona as suas ações, e as suas metas. 

Se você tem uma vida emocional, você procrastina, é que nem respirar. Mas se você der o primeiro passo nessa dança entre você e o seu propósito de vida e fizer a sua parte para criar uma vida significativa pra você, uma vida que realiza você, com certeza a quantidade de vezes que você procrastina diminui e você começa a entender como reverter todas essas procrastinações com mais facilidade”, finaliza Ana.

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