Dia 1: um futuro de união e de repensar os valores humanos

Léo Fernandes / CoexisteInfo
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Tempo de Leitura: 5 minutos
Festival se inicia com conversas evidenciando a necessidade de união entre todos para se encontrar soluções efetivas

Na quinta-feira, 05, a cidade de Santa Rita do Sapucaí começou a conversar sobre as principais tendências de tecnologia, criatividade e inovação, no HackTown 2019. O evento teve início durante a noite, com um painel de abertura que contou com a participação dos quatro fundadores, Marcos David, Ralph Peticov, João Rubens Costa e Carlos Henrique Vilela. 

No painel, eles evidenciaram as quebras de paradigmas que norteiam a produção do evento. Um evento centrado nas pessoas, altamente inclusivo, e que proporcione uma experiência de relacionamento. “Queremos que vocês conversem, compartilhem, com tempo de respiro que não seja uma correria de um lugar para outro”, afirma Ralph. O evento tem 38 venues acontecendo ao mesmo tempo. 

A mentalidade da cidade de Santa Rita do Sapucaí, altamente empreendedora, colaborativa e aberta ao novo, tornou a escolha da cidade óbvia. “Uma série de manifestações já acontecem aqui, e a gente só articulou esse potencial para fazer acontecer”, enfatiza Carlos Henrique.  A cidade conta, desde um 2013, com um programa chamado Cidade Criativa, Cidade Feliz, uma rede colaborativa que reúne iniciativa pública, voluntários e iniciativa privada para o desenvolvimento da economia criativa, e da qualidade de vida da cidade. Na prática, são 600 ações ao longo de seis meses, envolvendo cultura, arte, esportes, e tantas outras, sendo o Hacktown a principal delas. “Como deixar um engenheiro mais criativo? Insira a arte no contexto”, salienta Ralph.

O propósito de mudar o mundo é o que norteia os quatro realizadores e torna possível a realização desse evento. “Aproveitem pra fotografar. É muito raro nós quatro juntos no mesmo lugar, em um ano, acho que se somarmos o tempo que ficamos no mesmo ambiente, não dá 45 minutos”, brinca. E nessa proposta, eles fizeram um convite aos participantes. “O feriado mudou, é o feriado de interdependência. Somos responsáveis por tudo o que está acontecendo no mundo e essa é a hora de juntar todos para encontrar soluções”, diz Marcos David.

 

Tecnologia do futuro ou o futuro da tecnologia? 

 

tecnologia hacktown 1

 

Após a abertura, o evento contou com duas palestras concomitantes. Uma delas, “Pílula vermelha ou azul: realidade e fantasia sobre mundos separados e conectados, um painel sobre as verdades e mentiras do futuro tecnológico”, abriu a discussão sobre o futuro da tecnologia e da inteligência artificial. Afinal, as máquinas vão dominar o mundo? 

Entre comentários divertidos sobre O Exterminador do Futuro – e se o filme tem algum fundo de verdade sobre o que vem por aí – e muito bate bola, Vinicius Soares, fundador do Mais A.I, moderou a conversa entre Jeni Shih, COO de Cloud & Cognitive, da IBM América Latina, e Catarina Cicarelli, Head de Comunicação da TransferWise no Brasil. 

“As novas sociedades vão ter a tecnologia como um utensílio, praticamente, usada por todos nós como nós utilizamos a água ao abrir a torneira”, disse Jeni. “A gente fala água para sobreviver no planeta, mas como ela vai fazer parte da nossa vida, a gente não fala mais”. 

Para Catarina, o futuro da tecnologia também não é tão distópico quanto dizem os filmes ou as séries de TV. Pelo contrário, ele é muito mais humano e com uma tecnologia muito mais integrada. “A gente vê um crescimento de uma sociedade única”, diz ela. “A tecnologia vai ajudar a gente para se unir no que a gente precisa. Eu lembro de quando você demorava 40 minutos pra baixar uma música, hoje, em segundos você tá ouvindo um single que saiu agora. O mundo está mudando muito e muito rápido. Tem muitas teorias de catástrofe, mas a tecnologia só muda o que a gente quer que ela mude”.  

Jeni continua, explicando que o verdadeiro questionamento não deve ser se as máquinas vão dominar o ser humano no futuro, mas quais valores estamos plantando agora e que terão efeitos mais para frente. “O que nós estamos fazendo com os nossos semelhantes, com o nosso planeta. Será que é a tecnologia que é o grande inimigo do ser humano ou nós mesmos estamos criando esse caos? Porque tecnologia é o meio que vai possibilitar um futuro diferente. Melhor ou pior? A tecnologia, por ela, permite ambos, aí é a escolha, por isso red pills, blue pills”, diz.

Por isso, a COO reforça que a inteligência artificial, por exemplo, por si só não faz nada: ela é ensinada segundo os valores de quem configura o sistema – no fim, essa tecnologia vai apenas representar o sistema de pensamento daqueles envolvidos na sua configuração. “Por que os piores memes, os mais sarcásticos, são os mais populares? Qual é o problema de verdade? A tecnologia é alimentada, se nós estamos fomentando esse tipo de informação, o mundo vai ser pior”, reflete ela. “Mas nós todos temos uma responsabilidade de combater o Black Mirror – porque ele mostra o lado ruim da tecnologia -, e se nós alimentarmos com coisas boas no nosso dia a dia – e isso é realidade para mim -, a gente está investindo em muitas coisas para que o mundo seja melhor”. 

Feminino + Masculino

 

feminino hacktown
Foto: Leo Fernandes/ CoexisteInfo

Numa conversa profunda sobre o tema, o painel “O Futuro é Fe+Male”, a conclusão geral foi que há muita mudança ainda a ser alcançada no que tange o tema feminino e masculino. Com a participação da estrategista Hui Ju Park, da cientista Margareth Caparro, e da pesquisadora e pensadora de futuros Ligia Zotini, e a consultora Ana Lima,  fica evidente que a relação com os temas passa por muitos estereótipos e condicionamentos.

No mundo que valoriza os comportamentos considerados masculinos,  como controle, racionalidade, comando, força e deixa os femininos em segundo plano, como intuição, conciliação, delicadeza, afetividade, mudar esses paradigmas exige muita dedicação, mas fato é: é necessário que tanto homens como mulheres precisam desenvolver os dois lados para serem  íntegros, integrais e possam vivenciar o máximo de sua potencialidade.

Houve muitas perguntas, e participações, sobretudo de homens que fizeram colocações demonstrando a necessidade de se entenderem também nesse contexto. Ao longo do painel, Ligia Zotini evidenciou iniciativas que surgem para esse entendimento, como rodas de conversa, brotherhoods, como tentativa de saída da repressão do feminino que todos passam ao longo de sua formação. Um dos participantes ressaltou: “Entrar em uma reunião de empresa e mandar é viciante, mas isso destrói o humano. Nós estamos com sérios problemas”.

O desejo por uma solução existe. Mas o caminho entre o desejado e o praticado ainda precisa ser achado, até para cada um se se livrar dos próprios condicionamentos. “A gente tá precisando de fluidez, empatia, de uma pouco mais de generosidade para olhar para isso”, diz Hui Jin Park.

 

 

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