O futuro do trabalho é fazer mais de uma coisa ao mesmo tempo

Foto: Instagram / Antonio Sandes
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Tempo de Leitura: 6 minutos
O que o futuro do trabalho reserva são multicarreiras com foco em solucionar as necessidades das pessoas

Diretor de arte, designer, ilustrador, tatuador, grafiteiro e empreendedor. Nós poderíamos dizer que cada uma dessas atividades representam a profissão de pessoas diferentes. Mas todas elas fazem parte do portfólio de Antonio Sandes, co-fundador do Baião Studio. Parece coisa demais para gente de menos, mas, daqui em diante, veremos muitos Sandes por aí – e isso é um bom sinal. 

O ilustrador começou a vida profissional sem um planejamento certo. Não é que ele sonhava em trabalhar na publicidade e também tatuar, mas uma coisa acabou levando à outra. Apaixonado pela forma como a publicidade funcionava, ele, que trabalhou muito em agências tradicionais, percebeu que, apesar de cheia de ideias incríveis, a área não oferecia o que ele mais buscava: conexão direta com as pessoas. Foi o projeto de ilustração Menino Universo que mudou esse foco, já que, através das redes sociais, ele começou a ter um feedback direto e preciso do que entregava na timeline das pessoas. 

“Eu comecei a ilustrar e a jogar na internet, e as pessoas começaram a pedir tatuagens”, explica ele. Ou seja, o que começou como uma profissão aparentemente tradicional acabou se tornando um portfólio multi-habilidade e, hoje, Sandes combina tudo o que aprendeu ao longo do tempo trabalhando tanto diretamente com empresas quanto com o consumidor direto. 

Antonio Sandes (Foto: Instagram / Antonio Sandes)

As novas gerações são uma demonstração de que as barreiras entre carreiras estão ruindo e que atuar em mais de uma área ao mesmo tempo vai ser comum daqui para frente. 

A ideia de passar a vida inteira fazendo um mesmo trabalho não é algo que, para a geração millennial (os nascidos entre 1980 e 1996), por exemplo, soe como um gerador de felicidade. Tanto que, segundo uma pesquisa feita pelo site de busca de empregos ZipRecruiter, nos Estados Unidos, pouco menos da metade dos entrevistados pensavam em passar a vida na mesma profissão. 

Um outro estudo, desenvolvido pela página Monster.com, concluiu também que 26% desses novos profissionais já pensavam em mudar de carreira dali a cinco anos. “Eu nunca consegui ficar preso a uma coisa só. Se era na publicidade, eu não conseguia fazer só offline. Eu queria aprender a fazer tudo. Eu nunca ficava preso só na minha funçãozinha. Eu sempre tive uma mentalidade muito do todo e isso eu levei para tudo”, continua Sandes.

Futuro do Trabalho e Propósito 

“A entrega é muito importante para mim”, explica o diretor de arte. Aliás, “entrega” foi uma palavra constante na conversa, uma vez que, para ele, topar um projeto que não tenha como foco gerar uma sensação positiva no público final não faz sentido. “Eu vou fazer as coisas para mim? Eu já fiz isso e acho muito pobre”, diz. 

Não à toa, tem-se falado tanto sobre propósito no mundo. Segundo uma outra pesquisa do Monster.com, 74% dos jovens colocam o termo no topo da lista quando se fala em carreira. Ou seja, passamos de uma busca por coisas do mundo – dinheiro, casa própria e outros bens materiais, que antes eram prioridade – para outra em que o mais importante é o “porquê” ao invés de “o quê”.

E, em descobrir o porquê, as pessoas começaram a perceber a importância de olhar para os outros, para as necessidades do entorno. Foi assim que Ana Luna se viu saindo de um trabalho tradicional, com carteira assinada, para fazer o que lhe fosse pedido, até hoje, manter uma carreira dupla, como empreendedora da área hoteleira e co-responsável pela formação de novas turmas na Coexiste. 

futuro do trabalho
Ana Luna (Foto: Acervo Coexiste)

Para ela, trabalhar das 08h às 17h sem a possibilidade de adaptar a própria rotina de acordo com o que precisava ser feito começou a gerar desconforto. “Eu sempre achei que a vida das pessoas era muito inflexível, e eu me sentia prisioneira de uma rotina não flexível”, diz ela. 

A resposta foi abrir a agenda para fazer o que era preciso, atendendo a demanda das pessoas a sua volta. “Eu acho que a gente tem várias inspirações, ou habilidades, ou tudo isso combinado, um jeito ou ânsia por fazer coisas. É bacana conseguir várias entregas em atmosferas diferentes. Parece que eu não fico com a sensação de alguma coisa que não está sendo representada, desenvolvida mesmo e entregue. Dentro do que eu sei, parece que eu consigo fazer diversas entregas e isso é gostoso”.

Tudo buscando uma visão mais sistêmica, de contexto. Para Ana, era importante encontrar mais dinamismo no dia a dia e expandir as suas entregas segundo o que as pessoas precisavam – ou seja, trabalhando, onde quer que fosse, com foco no outro. Isso é o que gera significância no trabalho. 

O propósito tem sido tão importante para os novos profissionais que um estudo do Better Up Labs concluiu que nove entre dez pessoas estão dispostas a trocar um salário alto por um trabalho que seja significativo. Esses jovens topariam ganhar 23% menos desde que tenham um porquê claro na rotina de trabalho diária. 

Entrega e disponibilidade: as novas palavras de ordem

A questão é: você não é o que você faz. Seja com uma carreira multi-habilidade como a de Sandes ou uma jornada dupla como a de Ana Luna, o trabalho já tem deixado de ser visto como um fator determinante da vida de alguém. Muito porque, depois de tantas décadas com trabalhadores focados em si mesmos, em pagar as próprias contas e comprar as próprias coisas, eles estão percebendo que atuar em nome de uma necessidade coletiva é o que gera a realização que tanto buscam. 

Alcançar esse lugar não é difícil, mas pode exigir treino se você não sabe por onde começar. O primeiro passo é observar: “O profissional do futuro tem tudo a ver com isso. Não é o quanto ele sabe qualquer assunto, é o quanto ele observa para resolver qualquer assunto”, explicam Kaw Yin Yan Yin, fundadores da Coexiste. “E se ele souber bastante sobre algum tema, ele reforça. Antes disso, ele observa para resolver o que precisa ser resolvido”.

Sandes, aliás, colocou na prática essa ideia. Ele diz que a sua curiosidade em relação a arte foi o motivador para sempre aprender o que sentia que era necessário. O que ele não sabia, ele foi atrás de saber. Foi assim com a tatuagem, por exemplo, e buscar se especializar em novos assuntos foi parte desse atendimento à demanda. As pessoas o procuravam com um pedido e ele atendia, mesmo que tivesse que aprender os skills para isso no meio do caminho. 

“Acho que, a partir do momento que você é mais disponível, você vai testando e mostrando para si mesmo o quanto você é capaz de ser útil em cada situação”, completa Ana Luna. Ela explica, aliás, que a visão sistêmica e a disponibilidade estão intimamente ligadas. Ao se colocar na postura de observador, considerando os contextos e entendendo onde você pode atuar, de qualquer jeito que seja, você está disponível e percebe mais facilmente as oportunidades. 

É por isso que a disponibilidade é um estado de mentalidade aberta, em que você deixa de lado as suas necessidades particulares para resolver uma necessidade do entorno. Mas, para identificar e compreender essas necessidades, é preciso, primeiro, observar muito, buscando entender de que forma você pode ajudar. 

Foto: Instagram / Menino Universo

Isso, claro, não significa que você vai deixar de contar para as pessoas o que você faz. Enviar currículos, fazer contatos profissionais, reuniões de prospecção de clientes… Tudo isso continua válido, desde que você comece um treino consciente de se colocar à disposição de resolver as questões dos seus contratantes – acredite, as suas necessidades serão supridas se você entrar nesse fluxo. 

A partir daí, é uma questão de montar a própria agenda segundo os prazos estabelecidos, mas com a mente ligada na entrega e na disponibilidade: o formato pode ser diferente, mas a sensação final é sempre a mesma, de entrega, quer você esteja fazendo um grafitti em uma parede em Recife, como é o caso de Sandes, quer esteja ajudando as pessoas a colocarem as suas casas para aluguel por temporada, como faz Ana Luna. 

“Eu penso muito na mensagem, no que eu estou entregando, que seja uma forma de usar isso pra entregar uma coisa legal em que as pessoas sintam uma sensação boa”, reflete o designer. Essa sensação reverbera, e as pessoas continuarão procurando esses profissionais, não porque eles sabem fazer de tudo um pouco, mas porque, independentemente do que fazem, colocam o foco em quem vai receber aquele serviço. 

“Se você fica antenado nas demandas, o mundo muda, e você acompanha. Mas se você falar ‘Eu só faço máquina de escrever e nunca vou parar’, você vai precisar arrumar um lugar grande para guardar máquinas de escrever”, finalizam Kaw Yin Yan Yin.

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