Jogo de cintura ou sabedoria aplicada?

Priscilla Du Preez / Unsplash
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Tempo de Leitura: 5 minutos
Passar pano, engolir sapo, equilibrar pratos, saia justa, gambiarras...quem nunca? O mundo, agora, pede soluções definitivas e elas existem

No ambiente de trabalho, quem tem jogo de cintura é um profissional visto com bons olhos pelos colegas e lideranças e, claramente, desejado nas equipes. É aquele que consegue lidar com pessoas diferentes, que dribla adversidades com mais facilidade e que sempre arruma um caminho bacana – mesmo à custa de uma certa suadeira, ao equilibrar gênios e jeitos diferentes.

É ele que acalma os ânimos diante de embates de ideias, que busca uma solução possível mesmo na nebulosidade, e é a ele que os colegas recorrem quando não sabem como sair de uma situação enroscada.

Ele poderia ser um sábio, não fossem os sapos que também engole pra conseguir dar conta do temperamento de todos, inclusive dele próprio. Ele não está livre de “lotar o tanque” e jogar pro alto a boa convivência e o foco no projeto dependendo de como o cenário se apresenta.

Se sua determinação não for total e sua meta fincada na solução, muito além de objetivos pessoais, recairá sobre ele, lenta ou rapidamente, um forte senso de injustiça, gerador de cansaço, desânimo, frustração e vingança.

Puxado, né? Mas tem como sair disso. Se você é este cara, medite sobre o conteúdo a seguir, que vai tirar de você a sensação de estar enxugando o gelo e dar um upgrade no trabalho bacana que você já faz. Se você, por outro lado, é alguém que tende mais a contar com alguém que tem jogo de cintura, vem junto e você vai ficar louco pra mudar de papel rápido, numa jornada rumo à sabedoria aplicada.

A verdadeira conciliação não gera ônus para parte alguma; se gerou, há, com certeza, divergência de metas entre os envolvidos

Considerando-se este fato (pense bastante sobre este fato e você o compreenderá como um fato), para se tornar um profissional de excelência, o verdadeiro conciliador não pode sacrificar as necessidades do cliente, também não pode negligenciar suas potencialidades e da equipe e nem pode se desalinhar das estruturas da empresa que representa. Mas como atender a tudo isso sem gerar perda pra alguma parte?

De fato, quem está realmente disposto a conciliar tudo isso, está a um passo da sabedoria….ou, pelo menos, está muito necessitado de sabedoria. Porque falar em alinhamento entre demandas, pessoas, profissionais e empresas, quem conhece sabe que beira a utopia. Só não é utópico, porque, no fundo, é o que todos querem e é a única conquista que vai fazer todos se sentirem satisfeitos.

Achar utópico esse alinhamento total tem mais a ver com o fato de que cada indivíduo está sempre “pronto” para defender seu ponto de vista particular, que, inevitavelmente, vai se chocar com todos os outros, fazendo parecer que o posicionamento alheio é sempre menos adequado do que o seu próprio. 

Estamos em outros tempos: a competitividade vem ficando brega e dando espaço à colaboração, não é de hoje. As conquistas coletivas estão ficando tão atraentes; a igualdade em todos os sentidos vem sendo tão desejada. Mas, ainda assim, no pequeno, no cotidiano, na rotina, ainda é tão comum se ver preso na defesa de alguma ideia muito solitária, muito individual, que recebe o que vem de fora com escudos e críticas imediatas.

Para sair dessa percepção umbilical, tão restritiva, considere os ingredientes abaixo e reflita um pouco sobre eles, leve um tempo nisso. Preste atenção no que você sente à medida que um se soma ao outro e de que forma isso te alcança:

  • Imparcialidade
  • Impessoalidade
  • Neutralidade
  • Excelência
  • Seriedade
  • Comprometimento
  • Incorruptibilidade
  • Prontidão
  • Serenidade
  • Clareza Mental
  • Visão Realista
  • Visão Sistêmica
  • Afinidade com o Servir
  • Prazer em Atender
  • Precisão
  • Objetividade
  • Interesse real no bem estar de quem recebe seus serviços
  • Interesse na satisfação pelos serviços prestados
  • Capacidade de Contextualização

Vamos destrinchar um pouco alguns desses ingredientes? Vai ajudar você a se sentir de posse dessa receita, que, levada a testes sérios, vai surpreender você e todo o universo de stakeholders que te rodeia:

Imparcialidade, Impessoalidade, Neutralidade: Quando você trabalha numa empresa, sua entrega tem a ver com a cultura da empresa e, para seguir a cultura da empresa, é impossível seguir, ao mesmo tempo, a sua própria cultura pessoal, que é, por natureza, parcial. O verdadeiro profissional é uma folha em branco, que permite que nele seja escrito o trajeto objetivo entre a demanda do cliente e as possibilidades de oferta de sua empresa.

Olhando ainda mais do alto, para além da cultura da empresa, dá pra considerar um contexto mais amplo: contribuir para que a empresa faça o melhor para todos. Quanto mais amplo esse contexto, melhor. Quanto mais amplo o contexto que você olha e quanto mais você amplia o alcance de benefício daquela empresa, melhor. Quanto mais sistêmica for a sua visão, melhor profissional será. 

Incorruptibilidade: muito simplesmente, aquele que não se vende. Prontidão: sabe a pessoa que está sempre pronta? Disponível, precisou, ela está ali. 

Serenidade: uma pessoa calma, que olha para as coisas, não se desespera e, assim, encontra solução para tudo. A serenidade já traz consigo uma clareza mental que faz com que a pessoa coloque a cabeça no lugar e encontre uma solução. 

Por sua vez, a clareza mental traz: Visão Realista, Visão Sistêmica. Não se trata de olhar somente o próprio contexto específico. Que profissional você preferiria contratar? Aquele que mergulha fixamente em seu ambiente de controle e atuação, ou aquele cuja visão extrapola os limites da sua área e abraça não só os objetivos da empresa, como seus valores, sua missão e sua contextualização no cenário mais amplo? Não precisa pensar muito pra responder, né?

Afinidade com o Servir, Comprometimento, Prazer em Atender: Você gostaria de ter um chefe assim? Você gostaria de ser assim? Já experimentou a sensação de puramente detectar e servir a uma demanda, consciente de que independentemente do tamanho desse servir, ele contribui precisamente com o que era exata e simplesmente o necessário?

Precisão, Objetividade, Excelência: será que esses ingredientes estão intimamente ligados aos anteriores? Já tinha pensado sobre isso?

Interesse real no bem estar de quem recebe seus serviços, Interesse na satisfação pelos serviços prestados: Quando a pessoa procura pelo seu serviço e te conta o problema dela, ele passa a ser seu também, já que o seu serviço pode solucionar o problema dela. Sabe aquela vontade de que a pessoa fique bem, fique feliz? Seja lá o que você faça, você fica realizado quando vê que a pessoa ficou bem depois de receber o seu serviço. 

Capacidade de contextualização: Para entregar um serviço, você vai se contextualizar totalmente, entender o quadro como um todo. O profissional tem que ter capacidade de contextualização. Perceba: se você fica num padrão mental do tipo “E eu? E o que vai acontecer comigo?”, é porque você perdeu a visão sistêmica, a capacidade de contextualização e a afinidade com o servir. Relações profissionais baseadas nisso não são profissionais. Se você faz qualquer transação sem a meta em servir, não é uma relação profissional, você está focado em você mesmo. Contextualizado, você faz por amor e não por apego ao seu serviço, ao seu trabalho. 

***

Dedique um tempo sincero a colocar em prática no cotidiano do trabalho essas características e você vai ver que, à medida que esse treino progride, o antigo jogo de cintura se transmuta numa nova habilidade natural e desapegada de relacionamento profissional, com vistas ao bem estar de toda a cadeia envolvida, alavancando apenas bônus em toda a extensão da empresa ao cliente, com uma carga extra de relações mais profundas tanto na equipe, quanto no atendimento ao cliente.

Lembrando novamente: A verdadeira conciliação não gera ônus para parte alguma.

____________________________

As orientações contidas neste artigo estão disponíveis em profundidade no programa A Verdade Está no Ar, #396 “Profissionalismo, Relacionamento e Intimidade”, no Canal da Coexiste no YouTube (coexisteconteudo)

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