Medo do desconhecido ou medo do que você conhece?

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Aquela insegurança que bate quando algo diferente do que você está acostumado não é exatamente o que você pensa

Medo do desconhecido. Você já sentiu isso? De estar diante de uma mudança na rotina ou uma escolha e ter medo das suas decorrências? É uma sensação paralisante, em que você não sabe qual caminho tomar justamente por não ter ideia do que vem a seguir. 

Isso pode aparecer no seu dia a dia de muitas maneiras. Um bom exemplo é uma entrevista de emprego. Talvez você sinta medo do que o entrevistador vai perguntar na hora, de como seria sair do trabalho que você está, da conversa ao pedir demissão para o seu chefe atual… até como seria a dinâmica no seu novo local de trabalho e se os seus novos colegas vão ou não gostar de você. 

Agora, o que é, exatamente, esse medo? Você percebe que esses receios que passam na sua mente são fruto daquilo que você pensa sobre a mudança ou a escolha em si? 

Você, de frente para uma situação inédita, imagina centenas de possíveis cenários, e essas imaginações deixam você com medo. Mas não é medo do novo, e sim do que você imagina. Se você colocar um bebê diante de uma aranha, e não falar ou fazer absolutamente nada, possivelmente o primeiro desejo dele será colocar a aranha na boca. Mas ele não vai ter medo da aranha, porque não conhece os perigos contidos nesse ato. Ele vai aprender ao longo do tempo como agir e reagir diante de uma aranha. 

Quando você não conhece alguma coisa ou não entende algo que foi falado, você apenas não entende ou não conhece – e não sente nada em resposta. Pense na vez que alguém perguntou se você já assistiu a um filme sobre o qual nunca tinha ouvido falar antes. Você lembra da sensação? Dificilmente o que você sentiu nesse momento foi medo.  

De onde vem o medo, então? 

Como comentamos acima, você não sente nada porque não tem referência na mente. As pessoas não têm medo do desconhecido, têm medo da imaginação que elas têm sobre aquilo. Elas têm medo do passado. 

Se você prestar atenção, o seu passado é um grande banco de dados, que você acessa toda vez que precisa interpretar uma informação que chega até você. Um celular é um celular porque você já viu um objeto como aquele antes, aprendeu que era um celular e, a partir de então, todos os itens semelhantes àquele também são celulares. 

E isso vale para tudo. Você sempre busca no seu passado uma correspondência para coisas que estão acontecendo no presente – e com o futuro é igual. Você projeta o seu passado, vivências e sensações que você já teve, em situações que ainda não aconteceram, tudo isso no âmbito das imaginações. 

Você fica buscando no seu passado o que tem lá, e, dependendo do que você imaginar, você sente medo. Se você vai para uma entrevista de emprego, não vai temer o que vai acontecer lá, você vai ficar com medo da sua imaginação sobre aquilo. 

Quando se fala em mudanças – sejam de comportamento, hábitos, ou assuntos de ordem prática, como a casa que você mora -, você tem medo da sua imaginação sobre o assunto, e não da mudança propriamente dita. A verdade é que você não sabe o que vai acontecer depois, mas imagina as decorrências dessa mudança. 

Aliás, é importante lembrar que o medo é absolutamente voluntário e você escolhe colocá-lo na cena para não vê-la. Você usa o medo como uma ferramenta para nublar a sua própria visão e continuar no status atual

Se você quiser realmente mudar, não vai colocar o medo nisso. Mas se você quiser manter o estado anterior, vai imaginar coisas ruins para continuar no mesmo lugar. O medo que você coloca não é do desconhecido, ele serve apenas para você não mudar. 

Se você olhar verdadeiramente para as coisas que você considera como estímulos do medo, será que o medo continua? É possível ter medo daquilo que você viu, realmente? Aquilo que você identificou pode gerar medo? A verdade dos fatos pode deixar você com medo? A verdade sobre um fato pode causar medo? 

Então, aí vai uma notícia: você nunca sentiu medo de algo verdadeiro. Todos os medos que você já sentiu até hoje foram do que você inventou. Foi medo da sua imaginação, medo da sua interpretação dos fatos

Você nunca sentiu medo dos fatos exatamente como eles são – e essa é uma boa notícia. Sempre que você sentir medo, é porque você está inventando coisas na sua mente sobre aquilo. O medo nunca tem uma justificativa verdadeira. Nunca, porque ele está diretamente associado com a mentira. 

Verdade e medo não combinam. 

Em resumo: você não tem medo do que você não conhece, você tem medo do que conhece – e que já colocou adjetivos, qualificou como bom ou ruim, como certo ou errado. Se você admitir que não conhece, que você não sabe o que é aquilo que se apresenta, você não sente nada. Agora, se ficar imaginando o que é, aí, sim, vai sentir coisas. 

Você não vai ter medo diante do desconhecido se admitir que ele é, mesmo, desconhecido. Mas você fica imaginando o que seria e fica com medo das suas imaginações. Você põe o seu passado, as suas experiências, todo o seu background, adjetiva algo e fica com medo do julgamento que você fez sobre a coisa. 

Você pode imaginar de tudo, mas essa sensação estranha que vem quando fala sobre medo de mudança, não é a sensação da mudança, é a sensação da dúvida, de não escolher qual caminho seguir, qual decisão tomar e de ocupar a sua mente com ideias sobre todos os cenários possíveis. Dúvida dá medo, e você pode perceber que não fica em paz enquanto não decide. 

Dúvida é uma sensação de medo, certeza é uma sensação segura. Quando você realmente admite que não sabe algo, você não vai sentir nada. Porque você não vai para o seu passado buscar as suas experiências anteriores sobre aquilo para colocar na cena, mas se abre para ver verdadeiramente, para entrar em contato com os fatos e, então, mudar. 

Que tal admitir que não sabe e deixar que as coisas te contem como elas são? Experimenta. 

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