Suficiência financeira: para falar de dinheiro precisamos falar sobre consciência

Sharon McCutcheon / Unsplash
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Tempo de Leitura: 5 minutos
Lidar com questões financeiras sem antes trabalhar o status de consciência e a postura das pessoas diante dos cenários é impossível, diz a coach Karen McAllister

Falar sobre dinheiro não costuma ser fácil. Aliás, você já deve ter percebido como o assunto é quase proibido, apesar de ser tão presente no dia a dia das pessoas. Às vezes, ele falta. Outras, está sobrando, mas ninguém sabe o que fazer com aquilo – se guarda tudo bem escondido ou se gasta na primeira oportunidade, para comemorar. Não ter dinheiro gera preocupação, estresse, e tantas outras sensações correlatas. Ter dinheiro demais parece trazer a demanda de que algo precisa ser feito com aquilo, parece trazer uma solução. Mas fica a pergunta: será que é mesmo? Na verdade, o que temos visto é uma mudança de paradigmas, que inclui a forma como lidamos com esse recurso e a necessidade de olhá-lo com consciência. 

Karen McAllister, fundadora do The Mindful Money Coach, tem muito a dizer sobre isso. Ela trabalha há anos ajudando mulheres, empreendedores e empresas a resolverem suas questões financeiras de forma holística, acompanhando um movimento global de busca por uma vida mais consciente. 

Também fundadora do centro de meditação e retiros espirituais Clear Sky, no Canadá, ela percebeu cedo que não é possível separar a maneira como as pessoas se relacionam com recursos financeiros das suas questões emocionais e da forma como pensam. A partir das dificuldades do centro de trabalhar bem os recursos que tinha, e vendo como isso era um reflexo da mentalidade dos seus fundadores, ela percebeu as sensações de medo, abandono, falta e até dor que marcam essa relação. 

Desde então, Karen estabeleceu um objetivo: ajudar a mudar o mindset de escassez, medo e ganância que determinam o ambiente das finanças. Aliás, visto por essa ótica, não é à toa que falar sobre dinheiro ainda seja considerado um tabu e até fonte de sofrimento entre as pessoas. 

Em um mundo onde apenas 1% da população mundial é detentora de 82% de toda riqueza gerada em um ano (segundo dados da ONG britânica Oxfam), pensar em situações de conforto financeiro para todos parece utopia. Mas é uma possibilidade que Karen questiona com otimismo e acompanha um movimento de mudanças cada vez mais forte.

“É tempo de mais igualdade, porque o planeta está pedindo por isso”, diz ela. “O dinheiro é uma forma de chegar lá. Eu nunca saberei o que é estar num lugar de pobreza – mas esse não é o meu trabalho. Meu trabalho é mudar a mente daqueles que têm dinheiro. Colocar mais confiança nos seus corações e ajudá-los a encontrar um lugar de integridade e de autenticidade, para viverem a vida de acordo com os seus valores – e aí usar o dinheiro como ferramenta”.

Karen vê isso funcionando de duas maneiras: primeiro, através de práticas de autoconhecimento e desenvolvimento consciencial (como a meditação), e, depois, na busca pelos melhores investimentos e soluções para questões financeiras. “Tem que começar no coração”, diz ela. “Não significa nada se você não sentar sozinho com os seus pensamentos e olhar pras coisas que você pensa. Tem que ter um trabalho interno e uma educação interna”.

Isso não significa, claro, que esse movimento precisa ser feito sozinho. A empreendedora explica que é necessário, sim, ajuda profissional para mudar aspectos da mentalidade que são tão intrínsecos e, muitas vezes, inconscientes. Dinheiro é um assunto que mexe com duas partes do cérebro que, até então, são mais “fortes”: o lado instintivo e primitivo, já que está muito ligado à sobrevivência, e a parte límbica, que guarda memórias e informações às quais, conscientemente, não temos acesso. É ali que guardamos lembranças muito profundas de coisas que aprendemos com nossos pais, por exemplo, e que geraram condicionamentos que não necessariamente conectamos com eles. E olhar para tudo isso sozinho é, sim, difícil. 

karen mcallister coach dinheiro
Karen McAllister

O que vemos, porém é que, como Karen defende, o futuro é em grupo. Desenvolver consciência sobre a forma como usamos os recursos do mundo e gerar uma mudança de mentalidade não é algo individual, mas coletivo. E é possível encontrar pessoas ao redor do mundo que já veem as coisas dessa forma – inclusive combinando a lida com dinheiro com o desenvolvimento humano, consciencial e com o foco em um panorama macro.

O Triodos Bank, por exemplo, é considerado um case do mercado. Ele se define como o pioneiro no sistema bancário ético e, para a empresa, a base que a faz funcionar é a dignidade humana. O seu objetivo é promover o uso do dinheiro de forma a beneficiar pessoas e o meio-ambiente focando em projetos, empresas e indivíduos que buscam colaborar para um mundo melhor. 

No Brasil, a Rede Dinheiro e Consciência tem uma proposta semelhante – e é, inclusive, um projeto que conta com a participação do ex-presidente do Triodos, Jean Malé. Por lá, consultores, investidores, executivos e empreendedores criaram uma rede para encontrar formas mais sustentáveis e conscientes de usar recursos financeiros, unidas a uma economia ética e sustentável. 

Para Karen, tudo isso culmina em um lugar: uma vivência com suficiência. Mais do que pensar em abundância na maneira como ela é entendida pelo mundo – com grandes quantidades de bens, sejam materiais ou financeiros -, ela acredita em todos viverem com o suficiente para uma vida confortável, deixando um pouco de lado as imposições do ambiente e lidando, primeiro, com o que você acredita: “A nossa cultura de dinheiro vem de um lugar de não ter o suficiente. Não temos dinheiro o suficiente, não temos tempo o suficiente, é uma tentativa constante de se igualar aos demais. Você tem que lidar com apenas descobrir o que é o suficiente para você”, diz.

É, de fato, uma mudança de paradigma e, também, de postura diante de tudo. A partir desse observar a si mesmo e mudar a sua própria relação com esses recursos, buscando práticas de desenvolvimento de consciência e assumindo que você já é o suficiente, é possível encontrar o conforto no uso desses mesmos recursos. O resultado não é uma relação com base no medo, no abandono ou mesmo na ganância, mas no que é importante e bom para todos. 

“É uma relação com a vida. Você levanta de manhã e não para pra respirar. A Terra está vivendo por você, ela te deu vida, um corpo. E isso vem de um lugar de não precisar pegar algo de alguém, mas de como eu posso servir, como eu posso ajudar? E, ao mesmo tempo, eu preciso cuidar de mim. É ter uma responsabilidade radical pelas suas próprias necessidades e aí ir para um lugar de ‘o que eu posso entregar?'”, finaliza. 

Esse “entregar” significa, acima de tudo, aprender a ler o contexto e entender de que forma você pode servir às pessoas de maneira precisa. É tanto reconhecer a sua própria importância em cada cenário, até estar aberto a ouvir e compreender o que as pessoas a sua volta estão dizendo, para, então atuar conforme a demanda. É por isso que, como diz Karen, o caminho daqui para a frente é fazer o seu trabalho interno, mas em grupo. Primeiro, olhar para si em busca da resolução das barreiras internas, para depois entregar as soluções ao mundo.  

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